“Escrevo esse artigo no último dia do ano e sendo a última de 2008, era minha intenção apresentar um quadro geral do Oriente Médio (árabe), e tentar apresentar algumas perspectivas e mesmo previsões, opiniões pessoais sobre como será em 2009 nessa região. No entanto, um massacre em curso, um genocídio em andamento, fazem com que nos detenhamos no que vem acontecendo na Faixa de Gaza.
Como divulgado amplamente pela imprensa, havia uma trégua, uma espécie de cessar-fogo tácito entre o grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza e Israel, que vigorava por intermediação do Egito, desde junho deste ano. Nem o Hamas lançava foguetes nas cidades fronteiriças à Faixa, nem Israel atacava alvos palestinos nessa região densamente povoada (a maior densidade geográfica do mundo, da ordem de quatro mil habitantes por quilômetro quadrado).
No dia 19 de agosto, após seis meses de trégua, o Hamas anunciou que suspenderia o cessar fogo. Para que a Trégua fosse bem sucedida, da parte de Israel as fronteiras de Gaza deveriam ficar abertas, para que o fluxo de comércio, de alimentos, de mercadorias, de remédios transitasse livremente, bem como na região da fronteira com o Egito, próximo da cidade de Haifa. Nada disso ocorreu nesses meses. Desde novembro do ano passado, quando o Hamas passou a controlar integralmente a região, expulsando inclusive os funcionários da ANP e membro do grupo Fatah, do presidente Mahmoud Abbas (Abu Mazen), a região vive um cerco econômico, muito parecido com o que estrangula Cuba desde 1962.
Os guerrilheiros da resistência palestina sejam eles do Hamas, da Jihad Islâmica, do Fatah, da Brigada dos Mártires e tantos outros, usam e sempre usaram, atacar cidades próximas de Gaza como forma de luta. Isso ocorre há décadas. Aliás, todas as cidades “judias” hoje, israelenses na fronteiras, antes de 1948, eram todas palestinas, eram aldeias onde milenarmente moravam os palestinos. Com a instalação do estado de Israel em maio de 1948, a região dessas cidades foi tomada pelas forças israelenses e Gaza ficou sob domínio egípcio.”
Lejeune Mirhan, Vermelho.org / Foto: Criança Palestina, de 10 anos apenas, enfrenta Israel.
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