“Liguei para o Palácio da Alvorada logo de manhã só para bater um papo sobre os últimos acontecimentos, como costumo fazer nos finais de semana, mas me informaram que ele não estava. “O presidente já saiu para o Planalto”, informou-me a telefonista, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Em pleno feriadão de 1º de Maio, o presidente Lula estava dando expediente normal em seu gabinete, com uma agenda carregada: entrevista para a TV Cultura, almoço com Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, audiências aos ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Hélio Costa, das Comunicações, e ao presidente da Anatel, Ronaldo Sardemberg.
No final do dia, ainda receberia o piloto Kaká Bueno e o pessoal da “stock car”, e conversaria com os presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Alan Garcia, do Peru, por telefone. Lá pelas oito da noite, planejava voltar para o Alvorada e jantar com a mulher, Marisa.
Como chovia sem parar em São Sebastião, sem chance de pegar uma praia, resolvi também trabalhar um pouco, e aproveitei para fazer uma pequena entrevista sobre os próximos dias, meses e anos com o presidente da República, até qual a primeira coisa que ele pretende fazer depois de passar o cargo ao seu sucessor no dia 1º de janeiro de 2011, daqui a 32 meses. (...)
IG - O que muda na vida dos brasileiros com a elevação do Brasil ao grau de investimento, que indica segurança para os investimentos estrangeiros, pela agência Standard & Poor´s?
Lula - Penso que as mudanças não vão ser automáticas, não é assim. O Brasil passa a ser mais respeitado no exterior, ganha maior credibilidade e pode atrair mais investimentos estrangeiros, o que vai gerar no futuro mais renda e mais empregos.
IG - Com a dívida externa zerada, beirando os 70% de aprovação nas pesquisas, auto-suficiência e novas descobertas de petróleo, o que ainda falta acontecer para você se sentir um presidente feliz, realizado?
Lula - Quando você tem a obsessão de fazer as coisas acontecerem todo dia, termina não sendo nunca um homem realizado. A cada conquista, você vê o Brasil caminhar mais alguns passos para se tornar uma grande potência mundial. Quando começarmos a explorar o petróleo de Tupi e confirmarmos as reservas do pré-sal, aí sim atingiremos a maturidade e todo o potencial de uma grande economia . Quanto mais o Brasil crescer, maior vai ser a nossa responsabilidade. A hora não é só de euforia porque sabemos que ainda temos muitas coisas importantes para fazer.”
Ricardo Kotscho, Último Segundo
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