Offshore MCA concentrou 50% das propinas para tucanos

“Um único contrato de consultoria teria sido usado para dar cobertura a mais da metade das propinas supostamente pagas, entre outubro de 1998 e abril de 2001, a pessoas ligadas ao governo de São Paulo, então sob o comando do PSDB. Segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, o contrato foi fechado entre a Alstom e a offshore MCA Uruguay Ltda. Outras offshores, empresas com sede em paraísos fiscais, fecharam contratos da mesma natureza.

Com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, que não quis falar ao Estado sobre o assunto.

Os supostos serviços de consultoria foram formalizados em contratos para dar cobertura à promessa de comissões. O valor foi prometido em troca da assinatura de um contrato entre Alstom e Eletropaulo: o Gisel II, orçado, segundo os investigadores suíços, em 251,7 milhões de francos franceses (o equivalente a R$ 98,1 milhões, em valores de hoje).

O contrato previa que a MCA receberia o equivalente a 7,5% do valor do Gisel II. A quantia (18,9 milhões de francos franceses ou R$ 7,3 milhões) foi depositada diretamente pelo grupo Alstom em contas bancárias da MCA na Suíça e em Luxemburgo. O mesmo porcentual (7,5%) é descrito em uma anotação interna apreendida pelas autoridades suíças como o objeto de um "acordo" destinado a remunerar "o poder político" da época, que estaria sendo supostamente negociado "via um ex-secretário do governador", identificado pelas iniciais "RM". A MCA recebeu outros 2,8 milhões de francos franceses (R$ 1,1milhão) de forma indireta, repassados por intermédio de outras empresas offshore.”
Sônia Filgueiras, Eduardo Reina / O Estado de São Paulo
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Petistas vão investigar pagamentos de propina da Alstom a políticos paulistas

“A bancada do PT na Alesp (Assembléia Legislativa em São Paulo) promete investigar as acusações de que seis empresas offshore teriam repassado propinas a políticos paulistas entre 1998 e 2001 sob as ordens da multinacional Alstom, segundo reportagem publicada hoje por "O Estado de S. Paulo". A empresa francesa já era acusada de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no Metrô de São Paulo.

Segundo a assessoria do PT, as ações ainda não foram definidas, mas a possibilidade de instalar uma CPI é cada vez mais remota. A bancada do partido, que havia colhido 23 assinaturas até o dia 16 de maio, não conseguiu nenhuma nova adesão. Para que a "CPI da Alstom" saia do papel será preciso a adesão de mais nove deputados. A Alesp conta com 94 parlamentares.”
Folha Online
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