“Delegacia do Carandiru, 18 de abril, 11h30
A multidão atira objetos e grita: “Assassinos! Assassinos! Assassinos!”
– Pronto, entraram. Acertou?
– Não. Errei por pouco. E você?
– Acertei no escudo da polícia.
– Legal!
– Será que demoram muito para sair?
– Depende. Eu me lembro que, no primeiro depoimento, o jornalista que matou a namorada saiu logo.
– Foi, sim. Mas ele era réu confesso. É bem diferente.
– É, eu sei. Mas a moça que armou com o namorado e o cunhado para matar os próprios pais também não demorou muito.
– Ah, então é de lá que eu te conheço! Bem que eu sabia que você não me era estranho!
– Também estava te achando familiar. Mas eu pensava que era da Escola de Base.
– Não, cara! Não deu pra fugir do trabalho naquele dia.
– Pô, ruim, hein? Perdeu.
– Mas desta vez descolei um atestado médico falso.
– Boa!”
José Roberto Torero, Revista do Brasil
Crônica Completa, ::Aqui::
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