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Ele diz que enquanto fazia uma pesquisa para um de seus livros, viu o "Duce" discursar veementemente contra as pessoas que ocupavam a Piazza Venezia, grande praça de Roma.
Scurati diz que se lembra com clareza que, ao ver Mussolini fazendo um de seus discursos típicos, teve um momento de exaltação: "Mas isso nunca foi mostrado por ninguém!"
"Quero dizer", explica Scurati em uma conversa telefônica com a BBC News Mundo, serviço em língua espanhol da BBC, "que existe uma extensa literatura acadêmica, historiográfica e de ensaios sobre Mussolini e o fascismo. Mas ninguém escreveu um romance sobre Mussolini."
Em 2018, cerca de quatro anos depois daquela "luz" — e de consultas a milhares e milhares de documentos, livros, recortes de jornais, arquivos —, Scurati publicou o livro M, O Filho do Século (editora Intrínseca), um romance histórico no qual Mussolini é o protagonista.
O autor define a obra como um "romance documentário", pois, como explica uma nota no início do livro, "todos os fatos, os personagens, os acontecimentos, os diálogos não são inventados, mas documentados historicamente".
"Até o seu pensamento", diz Scurati, que ocupa o primeiro e o último dos curtos capítulos. O livro é o primeiro volume de uma trilogia sobre a vida do Duce.
A trilogia, uma vez publicada, será transformada no roteiro de uma série internacional de televisão dirigida por, antecipa Scurati, "um renomado cineasta sul-americano que viveu a tragédia de uma ditadura em seu país".
A história de M, O Filho do Século começa em 23 de março de 1919 com a fundação do movimento Fasci di combattimento (Grupos de combate, em tradução livre) em Milão, e termina em 3 de janeiro de 1925 quando o Duce, já presidente da Itália, assume em frente ao Parlamento "a responsabilidade política, moral e histórica" pelo assassinato do adversário socialista Giacomo Matteotti, morto no ano anterior.
Esse momento é o que muitos historiadores consideram o início do regime totalitário fascista.
Mas como é possível escrever um romance inédito e original sobre um assunto do qual todos sabem não apenas o final, mas até os eventos intermediários?
"Esse foi um dos desafios deste projeto", diz Scurati. "Por essa razão, estruturei o romance imergindo o leitor no fluxo dos eventos conforme eles ocorreram. Como se a história pudesse ter tomado outras direções e o que aconteceu a seguir não fosse conhecido."
Matéria Completa, ::AQUI::

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