Nuvem gigante de fumaça assusta moradores e elevado número de incêndios pode agravar pandemia no Centro-Oeste

Uma nuvem de fumaça encobriu cidades do Centro-Oeste na manhã desta quinta-feira (13/08). O principal motivo é a atual situação do Pantanal. O bioma, localizado em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, enfrenta o maior volume de queimadas nas últimas décadas. A piora das condições ambientais, que costuma vir acompanhada de aumento de problemas respiratórios e de saúde na população, agora se soma também à pandemia de coronavírus.

Efeitos para a saúde

Júlio Sampaio, do WWF-Brasil, lembra que a seca é mais comum neste período, mas se associa neste ano a um recorde de queimadas e à pior pandemia da história recente.

"Os atendimentos por problemas respiratórios causados pela fumaça e pela fuligem sempre sobrecarregam o sistema de saúde. Isso acaba tirando o espaço ou a dedicação de energia para os cuidados com a covid-19. Por isso, é fundamental que haja gestão e fiscalização em relação aos incêndios florestais, para que eles não ocorram, principalmente, durante este período", afirma à BBC News Brasil.

Dados das secretarias de saúde estaduais apontam que Mato Grosso teve 70,6 mil casos de covid-19 e 2.245 mortes. Já em Mato Grosso do Sul foram confirmados 34,5 mil casos e 570 mortes pelo novo coronavírus.

Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, em Mato Grosso do Sul há ocupação de 75,6% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados à covid-19. Já em Mato Grosso, segundo a pasta estadual, a atual ocupação de leitos de UTI é de 72,3%. Em julho, os dois estados chegaram a se aproximar do colapso na saúde pública — a situação, segundo autoridades locais, amenizou principalmente após a abertura de novos leitos.

Pneumologista baseada em Campo Grande (MS), Eliana Setti explica que doenças respiratórias são típicas desta época do ano, mas a chegada da covid-19 pode levar a uma maior demanda do sistema de saúde e até mesmo à confusão de diagnósticos.

"O ar está muito seco e, junto com o vento, isso irrita as vias aéreas. Os efeitos deletérios acontecem mais para os extremos de idades: crianças e idosos", explica.

"Além da possível semelhança de quadros, é preciso atentar para a prevenção tanto da covid quando para as doenças respiratórias (típicas)", diz, destacando a importância do uso de máscaras e distanciamento social para a primeira e, no segundo caso, a hidratação.

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