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| Rose Kalemba |
Rose olhou para a enfermeira. Ela não devia ter mais de 40 anos, pensou.
Ela lembrou da manhã seguinte ao ataque, das conversas com o policial sem emoção e o médico. Todos usaram a frase "alegado" ao se referirem ao violento ataque de uma hora que Rose lhes havia descrito. Com exceção de seu pai e avó, a maioria de seus parentes também não acreditava nela.
Com a enfermeira foi diferente. "Ela acreditou em mim", diz Rose.
Era um pouquinho de esperança — alguém reconhecendo o que havia acontecido com ela. Uma onda de alívio tomou conta dela, parecia ser o começo de sua recuperação.
Mas, logo, centenas de milhares de pessoas veriam o estupro por si mesmas — e desses espectadores ela não recebeu simpatia.
Ela agora tem 25 anos e organizou uma rotina de autocuidado em sua vida diária.
Cuidar do cabelo faz parte disso. Pentear leva tempo e esforço, é quase um ato de meditação. Ela sabe que tem cabelos bonitos, as pessoas comentam sobre isso o tempo todo. Todas as manhãs, ela também toma uma xícara de um tipo puro de cacau, que ela acredita ter qualidades curativas, e faz uma lista de suas metas em um diário.
Ela deliberadamente os coloca no tempo presente.
"Eu sou uma excelente motorista", é uma meta. "Estou feliz casada com Robert", é outro. "Eu sou uma ótima mãe."
Sentando-se para conversar, Rose puxa o cabelo por cima dos ombros. Ele cobre a maior parte do corpo, como uma armadura.
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| Rose Kalemba com seu pai |
Um homem apareceu, de repente, das sombras. Ameaçando-a com uma faca, ele a forçou a entrar em um carro. Sentado no banco do passageiro estava um segundo homem, de cerca de 19 anos — ela já o havia visto pela cidade. Eles a levaram a uma casa do outro lado da cidade e a estupraram por um período de 12 horas, enquanto um terceiro homem filmou partes do ataque.
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