'Eles me estupraram e postaram o vídeo do crime em um site pornô'

Rose Kalemba

Rose olhou para a enfermeira. Ela não devia ter mais de 40 anos, pensou.

Ela lembrou da manhã seguinte ao ataque, das conversas com o policial sem emoção e o médico. Todos usaram a frase "alegado" ao se referirem ao violento ataque de uma hora que Rose lhes havia descrito. Com exceção de seu pai e avó, a maioria de seus parentes também não acreditava nela.
Com a enfermeira foi diferente. "Ela acreditou em mim", diz Rose.

Era um pouquinho de esperança — alguém reconhecendo o que havia acontecido com ela. Uma onda de alívio tomou conta dela, parecia ser o começo de sua recuperação.

Mas, logo, centenas de milhares de pessoas veriam o estupro por si mesmas — e desses espectadores ela não recebeu simpatia.
Uma década depois, Rose Kalemba penteia o cabelo preto grosso diante do espelho do banheiro, girando as pontas com os dedos para formar cachos naturais. Não podia fazer isso nos meses após o ataque. Todos os espelhos de sua casa tinham que ser cobertos com cobertores, ela não suportava ver seu reflexo.

Ela agora tem 25 anos e organizou uma rotina de autocuidado em sua vida diária.

Cuidar do cabelo faz parte disso. Pentear leva tempo e esforço, é quase um ato de meditação. Ela sabe que tem cabelos bonitos, as pessoas comentam sobre isso o tempo todo. Todas as manhãs, ela também toma uma xícara de um tipo puro de cacau, que ela acredita ter qualidades curativas, e faz uma lista de suas metas em um diário.

Ela deliberadamente os coloca no tempo presente.

"Eu sou uma excelente motorista", é uma meta. "Estou feliz casada com Robert", é outro. "Eu sou uma ótima mãe."

Sentando-se para conversar, Rose puxa o cabelo por cima dos ombros. Ele cobre a maior parte do corpo, como uma armadura.

Rose Kalemba com seu pai
Na pequena cidade em Ohio onde cresceu, não era incomum que Rose saísse para passear sozinha antes de dormir. Ela relaxava, apreciava o ar fresco e a paz. Até aquela noite do verão de 2009, quando tinha 14 anos.

Um homem apareceu, de repente, das sombras. Ameaçando-a com uma faca, ele a forçou a entrar em um carro. Sentado no banco do passageiro estava um segundo homem, de cerca de 19 anos — ela já o havia visto pela cidade. Eles a levaram a uma casa do outro lado da cidade e a estupraram por um período de 12 horas, enquanto um terceiro homem filmou partes do ataque.
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