Bolsonaro convoca “massa virtual”, mas usa o Exército para ameaçar


 por Fernando Brito, Tijolaço -

É evidente que Jair Bolsonaro não tem força política para, como diz pretender, encher as ruas brasileiras – como ameaça – numa manifestação pelo fechamento do Congresso.
Não é com a matilha bolsominion que ele pretende espalhar o medo.

Com o vídeo messiânico que está distribuindo, onde se aponta como um semi-Jesus – “ele quase morreu por nós, diz a peça – uma curta mensagem, telegráfica, diz tudo:

“- 15 de março. – Gen Heleno/Cap Bolsonaro. – O Brasil é nosso, – Não dos políticos de sempre.”

Bom covarde que é, bota o general – cuja decrepitude é nítida – à frente, porque sabe que terá de recuar.

A manifestação do General Santos Cruz – está agora evidente a quem ele se referia quando falava que estavam usando os generais – não é uma voz isolada.

Banda miliciana das polícias e segmentos evangélicos fundamentalistas não bastam para um golpe e o exército não cooperará com um que os ponha a mandar, como já ensaiam agora.

Nisso tudo, só uma coisa é verdadeira: Jair Bolsonaro acollora-se. 

Entra no turbilhão egocêntrico que acomete aventureiros que confundem os votos que receberam com uma beatificação, que creem-se ungidos e invulneráveis.

Não é só porque há reações a uma ditadura, é porque ditaduras não servem mais ao capital no mundo de hoje, que a aventura autoritária com que ameaça de Bolsonaro flerta é improvável.

É porque não é crível que, estando no poder e sem governar, queira mais poder para continuar não governando.

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