por Fernando Brito, Tijolaço -
Quem se preocupar em tentar entender os planos do Irã – e não achar que um país com aquele grau de desenvolvimento é apenas um antro de loucos – deveria ler com atenção o discurso do Ministro iraniano das Relações Exteriores, feito hoje em Teerã, num evento com diplomatas árabes.
Mohammad Javad Zarif disse, depois dos elogios fúnebres a Qassem Soleimani, que “recorrer à guerra, considerada uma exceção nas relações internacionais, infelizmente se tornou uma regra e regra na região devido à atitude e conduta dos EUA e de seus seguidores”, mas que “este é um círculo vicioso que deve ser quebrado pelos atores regionais e todos aqueles comprometidos com a paz, a tranquilidade e a estabilidade.”
—O caminho escolhido pelos EUA para
si e para a região é caracterizado por insegurança, guerra e
derramamento de sangue. Mas o Irã, como a voz unificada que surge do
coração de todas as crianças desta terra antiga e orgulhosa, anuncia paz
e sossego para a região.
Argumento que os países situados em torno do Estreito de Ormuz – por onde passa perto de 30% do petróleo do mundo – devem abandonar a ilusão de que conseguirão segurança e desenvolvimento “vindos de fora” e que deveriam se unir para usar, sinergicamente, o poder desta região para alcançar um futuro melhor e mais pacífico.
“A segurança não pode ser realizada através de “arremessar pedras na casa do vizinho.” Acreditamos em segurança para todos.”
O discurso, na íntegra, está no jornal iraniano (em inglês) Tehran Times e pode ser lido aqui.
Nada, claro, desautoriza esperar alguma reação militar surpresa, até porque a comoção é intensíssima, mas não é isso o que vem indicando Teerã.

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