Quem é Eduardo Fauzi, o homem que colocou fogo no Porta dos Fundos e adora aparecer. Por Joaquim de Carvalho
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| Fauzi, quando foi preso depois de dar um soco no secretário municipal da Ordem Pública do Rio de Janeiro |
Eduardo Fauzi Richard Cerquise, apontado
pela polícia como um dos autores do atentado terrorista ao Porta dos
Fundos, teve seus quinze minutos de fama em novembro de 2013, quando
acertou pelas costas um violento tapa no então secretário de Ordem
Pública do Rio de Janeiro, Alex Costa.
O secretário começou a dar
entrevista quando Eduardo Fauzi gritou “mentira” e deu golpe covarde.
Foi contido por guardas municipais e algemado. Liberado pela Justiça,
voltou ao estacionamento e deu entrevista a um canal da internet, em que
se vangloriou:
“Foi a tapa mais bem dada que eu já pude
dar na minha vida. Tenho certeza de que a minha mão teve o peso de um
milhão de pessoas que foram removidas irregularmente, tiveram suas
mercadorias apreendidas e não puderam se defender pelos meios adequados.
Eu tenho certeza de que muita gente se sentiu autor daquele tapa.”
O episódio parece definir a forma como
Fauzi encara a vida em sociedade: as coisas estão erradas e ele se sente
autorizado a resolver essas questões com as próprias mãos. É a lógica
do miliciano, que o aproxima do grupo que hoje está na alta esfera de
poder, o governo federal.
Os pontos em comum são vários. Na casa
dele, foi encontrado o livro que é uma espécie de bíblia do
bolsonarismo, o Imbecil Coletivo, de Olavo de Carvalho. Fauzi também foi
filiado ao PSL, bem antes de Bolsonaro entrar no partido.
Assim como Bolsonaro no passado, a
atuação de Fauzi tangenciou o neonazismo. Enquanto Bolsonaro teve apoio
de grupos francamente adeptos das ideias de Adolph Hitler, Fauzi contou
com a defesa do advogado fluminense Eduardo Banks, em um habeas corpus.
Banks já tinha entrado na Justiça contra
uma hipotética caça pela Polícia Federal dos ex-dirigentes nazistas
Martin Borman e Alois Brunner, e também tentou garantir, pela via
judicial, a publicação no Brasil do livro Os Protocolos dos Sábios de Sião, considerado antissemita.
Banks também tentou obrigar a
Folha de S. Paulo a suprimir da internet o parágrafo de uma reportagem
que o relacionava a uma proposta para indenizar os descendentes dos
donos de escravo por conta da abolição.
O homem a quem Banks tentou ajudar com o
habeas corpus também tem uma atuação em organizações que pregam o
enfrentamento a grupos de esquerda. Na internet, ele aparece dando aulas
em uma tal de Accale – Associação Cívica e Cultural Arcy Lopes
Estrella, referência a um militante da Ação Integralista Brasileira, nos
anos 30.
No Facebook, o grupo diz que não é de
direita nem de esquerda. “Buscamos boas ideias, venham de onde vierem.
Não nos interessam as vias do progressismo ou do liberalismo.
Nacionalismo, o único caminho!”, escreve.
Hoje, a entidade publicou uma nota para dizer que não tem uma relação com o atentado.
Um dos vídeos divulgados pela Accale
mostra homens de camiseta preta em ato para queimar a bandeira do
Partido Comunista, depois de fazerem uma oração. Na passeata até o local
da queima, alguns seguram a bandeira republicana do Brasil e outros, a
do Império.
Fauzi teve a prisão decretada e seu
endereço foi alvo hoje de busca e apreensão. É considerado foragido, mas
ele parece ter deixado propositalmente rastro para a polícia o
identificar.
Ele tirou a máscara depois do atentado terrorista ao Porta dos Fundos e uma câmera mostrou seu rosto.
Há três dias, uma fonte enviou ao site GGN
a ficha completa dele e das entidades de que participa — além da
Accale, é membro de um tal Comando de Insurgência Popular Nacionalista
da Família Integralista Brasileira.
Na reportagem do GGN, é publicado um
vídeo em que ele, com voz distorcida, reivindica a autoria do atentado
contra o Porta dos Fundos.
“Nós, do Comando de Insurgência Popular
Nacionalista da Família Integralista Brasileira, reivindicamos a ação
direta revolucionária por justiçar os anseios de todo o povo brasileiro
contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica que grupo de
militantes marxistas culturais Porta dos Fundos tomou quando produziu
seu especial de Natal a mando da mega corporação bilionária Netflix”,
disse.
A distorção da voz foi feita de um modo
tão primário que o internauta Jorge Alberto corrigiu o áudio e
desmascarou o homem que assumiu o ataque à produtora.
Em sua rede social, Jorge escreveu que “o
fascismo e a burrice andam lado a lado”. E explicou: “Peguei o vídeo
dos integralistas terroristas e corrigi o pitch do áudio, que deveria
estar cruzado com dois tons, agudo e grave, mas só tem a grave. Caminho
livre pra ouvir a voz original dos caras. Eu não vou rir sozinho”,
disse.
É possível que Fauzi quisesse mesmo ser
identificado. Ele gosta da exposição. No YouTube, tem um vídeo em que
Fauzi aparece como parceiro da dançarina profissional Anna Cherneykina.
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| Eduardo Fauzi e Anna Cherneykina |
Em outro vídeo, disse que é formado em
economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas o único
registro público dele em relação à instituição é o resultado do
vestibular, em que tirou notas baixas: 3,25 em Português, zero em
Biologia e 2,5 em Física, por exemplo.
Fauzi pode ser um desequilibrado mental
com ambições de Narciso, mas tem um dado que não permite essa conclusão:
a polícia encontrou R$ 116 mil em dinheiro vivo no seu endereço.
Um ex-guardador de carro, por mais esforçado que fosse, não conseguiria juntar esta quantia.
Se a polícia quiser saber mais sobre ele,
deve seguir o rastro do dinheiro. O problema mais grave pode não ser
ele e seu comportamento de miliciano, mas quem, eventualmente, o
patrocina.
O vídeo em que ele fala da agressão ao secretário:



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