Do site Hora do Povo:
Através dos dados mensais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), temos acompanhado no último período um fenômeno típico da crise: o aumento do desemprego, especialmente pelo fechamento de postos formais, e uma migração de trabalhadores para o mercado precário como alternativa à falta de trabalho.
De acordo com dados da última Pnad, o número de pessoas que trabalham por conta própria – ou seja, sem empregador, sem funcionário, sem direitos e sem renda fixa – chegou a 24,1 milhões de pessoas no fechamento do segundo trimestre de 2019. Desde 2017, este número cresceu desproporcionalmente ao emprego com carteira assinada e hoje já representa 25,9% do total de empregados do país.
Um novo recorde da série histórica, segundo o IBGE. O número de trabalhadores por conta própria, ou aqueles que buscam o chamado “bico” para sobreviver à crise, subiu nas duas comparações: 1,6% (mais 391 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 5,0% (mais 1.156 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2018.
3,6 milhões de trabalhadores vivem com 300 por mês
Um recorte cruel deste percentual é a faixa de 15% de trabalhadores por conta própria que tem rendimento de R$ 300 reais por mês – ou R$ 10 reais por dia. Este valor é menos do que o necessário para comprar uma cesta básica em São Paulo, que hoje custa R$ 493,16, por exemplo, conforme comparou a reportagem.
Essas pessoas estão ocupados em segmentos sobretudo dos serviços e comércio, como camelôs, ambulantes, pedreiros, motoristas de aplicativo. Uma outra parcela está em atividades agrícolas, e outra está na chamada indústria geral, sobretudo de baixa tecnologia, apurou a pesquisa. Além do evidente problema para o consumo, as condições de vida e sobrevivência dessas pessoas – que inclusive não contribuem para a previdência – é da ordem de grande preocupação macroeconômica.
“Quando projetamos os números do mercado de trabalho, fazemos uma correlação forte de emprego e PIB”, disse Ottoni. O PIB (Produto Interno Bruto) do país deve crescer menos do que 1% este ano, se muito, segundo aposta do Banco Central e do mercado financeiro.

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