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| Sem eles, nada disso seria possível |
por Kiko Nogueira, DCM -
Há algo de podre no silêncio do STF diante da quantidade colossal de barbaridades perpetradas por Bolsonaro e companhia.
Onde estão Gilmar Mendes e suas
diatribes? Segundo Gilmar, o PT tinha um ‘plano perfeito’ para se
‘eternizar’ no poder. Deu no que deu.
Cinco ministros anunciados são ou foram alvos de investigação: Onyx Lorenzoni, Luiz Henrique Mandetta, Tereza Cristina, Paulo Guedes, Marcos Pontes.
Cadê Luiz Fux, que repetiu sem parar que Lula era um “candidato condenado em segunda instancia inelegível”?
Alguma pista de Luís Roberto Barroso,
cuja última frase de efeito foi pontuar que o Brasil “não tem lugar para
projetos autoritários”?
“Cala boca já morreu”, garantiu
certa vez a loquaz Cármen Lúcia, lembrando que “não há democracia sem
liberdade. Ninguém é livre sem acesso às informações”.
Carminha, que dia sim, dia sim também aparecia em todos os telejornais da Globo, escafedeu-se.
Temos um futuro ministro da Educação que
pretende, ”em primeiro lugar”, “limpar todo o entulho marxista que tomou
conta das propostas” dos funcionários do MEC.
Ricardo Vélez Rodríguez quer “conselhos
de ética” em universidades e até escolas de segundo grau para assegurar
“a reta educação moral dos alunos”.
Não é ameaça à liberdade de expressão, Cármen? Lewandowski? Celso de Mello? Marco Aurélio?
O último a ser avistado foi presidente do Supremo, Dias
Toffoli, que num artigo pedestre para o El Pais defendeu “um grande
pacto republicano no Brasil”, sabe Deus o que isso significa.
Toffoli, que cedeu com gosto um general
da reserva que o assessorava para Bolsonaro, encerra a peça garantindo
que “a Constituição continuará a ser nosso mapa de viagem”.
A tagarelice só vai retornar quando um
repórter do Jornal Nacional pedir a opinião dos ilustres magistrados
sobre qualquer coisa.
É assim que funciona a corte. A reboque.
Até lá, vai ser a paz do cemitério enquanto o país é enterrado.

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