Candidato fantasma arruma atestado para fugir dos debates com Haddad


 por Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho -

Estava na cara: o candidato fantasma Jair Bolsonaro já arrumou um atestado médico para não ir aos debates programados com Fernando Haddad, pelo menos até o dia 18.

“Com certeza ele só terá condições na semana que vem”, afirmou o médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Hospital Albert Einstein, que examinou o candidato na manhã desta quarta-feira, em seu bunker num condomínio na Barra da Tijuca, onde ele passa o dia em reuniões e dando entrevistas diárias a emissoras amigas que o apoiam.

Curioso é que ele só não pode participar de debates porque não pode ficar muito tempo em pé.

Mas será que as emissoras não poderiam lhe providenciar uma cadeira confortável?

Desde que teve alta no hospital há 10 dias, Bolsonaro só deu as caras na rua para votar no domingo.

O primeiro debate estava marcado para esta sexta-feira, na TV Bandeirantes, que até pensou um montar um estúdio no Rio para facilitar a presença do capitão, mas agora não se sabe se fará uma entrevista só com Haddad, deixando a cadeira do outro vazia, algo em que não acredito.

O jogo é pesado na mídia nativa para facilitar a vida de Bolsonaro e combater a candidatura de Haddad.

O jornalista Ricardo Noblat, blogueiro da revista Veja, escreveu hoje em seu twitter que os altos escalões da Bandeirantes e da Record já deram ordens para que o jornalismo dessas emissoras produza reportagens contra Fernando Haddad e demais políticos que se aliaram a ele.

“É de desolação, de revolta e, em alguns casos, até de choro o clima no jornalismo das duas emissoras. Ciro Gomes, ex-candidato do PDT, será um dos primeiros alvos de tais reportagens”, relata Noblat.

Tudo faz lembrar o esquema montado pela mídia para favorecer Fernando Collor contra Lula na reta final da campanha de 1989.

Até o silêncio obsequioso do Tribunal Superior Eleitoral é o mesmo diante dos repetidos abusos cometidos em favor de Bolsonaro, sem que seus ministros se manifestem.

Naquela eleição, lembro-me bem, depois de vitorioso, Collor anunciou Francisco Rezek, o presidente do TSE na época, como seu ministro da Justiça.

Estavam previstos seis debates entre os dois candidatos no segundo turno, mas Bolsonaro só vai se quiser.

Como o médico afirmou que “com certeza” o candidato só terá alta para atividades públicas de campanha na quinta-feira da próxima semana, Bolsonaro ficará de fora também dos debates em outras três emissoras: Gazeta, RedeTV! e SBT.

Restariam apenas os debates da Record, no dia 20, e da Globo, no dia 26, por coincidência as duas emissoras que disputam a simpatia de Bolsonaro.

Dono da Record e da Igreja Universal, o bispo Edir Macedo saiu na frente e já anunciou seu apoio oficial ao capitão, na esperança de tomar o lugar da Globo na preferência de um eventual governo do ex-nanico PSL, que agora tem a segunda maior bancada da Câmara.

No mesmo horário do debate da Globo, no primeiro turno, Jair Bolsonaro falou sozinho na emissora do bispo, que colocou câmeras e microfones à sua disposição no bunker.

Bunker, como se sabe, era o nome dos subterrâneos construídos na Alemanha nazista para abrigar a população civil durante os bombardeios.

Nesta volta do Brasil ao passado, velhos pesadelos parecem ressuscitar.

Revivendo Collor, Bolsonaro já prometeu acabar com as mordomias dos marajás, como se ele não fosse um deles, há 30 anos dando expediente de deputado federal em Brasília com direito a auxílio-moradia mesmo tendo imóvel próprio.

É o que temos por hoje.

Vida que segue.

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