"Ao promover sua capa "Vai sobrar para ela?" desta semana no Facebook, sobre o que acontecerá com a presidente Dilma Rousseff após a Copa, os marqueteiros de Veja perguntam: "Alguém arrisca um chute?"; a metáfora foi compreendida pelos leitores da revista; Daiany Bitencourt, por exemplo, responde: "eu queria arriscar um chute na cara dela!"; é assim que a revista manipula os instintos primitivos do seu público; embora todos os presidenciáveis tenham torcido pela seleção e divulgado imagens a respeito disso, Veja trabalha para que os 7 a 1 sofridos contra a Alemanha sejam debitados na conta de Dilma
Brasil 247
"Vai sobrar para ela?", pergunta a capa de Veja desta semana, como se o resultado de uma partida de futebol (a derrota de 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão) tivesse algo a ver com eleições presidenciais.
Antes da derrota fatídica no
Mineirão, todos os presidenciáveis divulgaram imagens torcendo para a
seleção brasileira. Dilma, por exemplo, usou o Twitter para imitar uma
brincadeira do craque Neymar, conhecida como "É tóisss". O tucano Aécio
Neves vestiu a camisa da seleção, ao lado da esposa Letícia, assim que
nasceram seus filhos gêmeos, que também ganharam uniformes da equipe. E
Eduardo Campos distribuiu imagens de uma partida que assistiu ao lado do
craque Romário, que é filiado ao PSB.
É do jogo. Políticos, desde que o mundo é mundo, torcem para suas seleções. Estranho seria se torcessem para equipes adversárias.
No entanto, mais do que qualquer
outra publicação, Veja politiza a Copa do Mundo. Primeiro, previu caos
aéreo e que os estádios ficariam prontos apenas em 2038, para que a
raiva da sociedade fosse dirigida ao PT. Agora, diante do sucesso da
organização do Mundial, tenta debitar na conta de Dilma o fracasso de
uma equipe de futebol mal preparada para a semifinal contra a Alemanha.
O descaramento de Veja, no
entanto, vai além. Ao promover sua capa desta semana no Facebook, a
publicação sugere que leitores deem pontapés em Dilma, ao perguntar
"Alguém arrisca um chute?" sobre o que acontecerá com Dilma no pós-Copa
(confira aqui).
A primeira resposta, da leitora Daiany Albuquerque, é emblemática: "eu
queria arriscar um chute na cara dela" - um sinal de que a sutileza de
Veja foi bem compreendida por seus leitores.
Na reportagem interna, a revista
da Editora Abril, que enfrenta grave crise financeira e transfere
títulos para a Editora Caras (leia mais aqui),
também propõe que os adversários de Dilma apelem para a xenofobia, caso
a Argentina de Messi supere a Alemanha na final da Copa. "Dilma, que
tinha a esperança de entregar o troféu do hexa à seleção brasileira,
corre o risco de ter de passá-lo às mãos dos argentinos, nossos maiores
rivais no futebol, em pleno Maracanã. Uma imagem que, para azar da
presidente, vale mais do que mil palavras em qualquer propaganda
eleitoral."
Quanta estupidez!"

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