Inquérito de 2009 não questiona favorecimento à família de Aécio com aeroporto


, GGN

'Após a repercussão da denúncia envolvendo a construção do aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, o candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, divulgou um relatório do Ministério Público do Estado alegando que a obra autorizada pelo governo do Estado (na época, comandado pelo tucano) foi investigada em 2009 e, a apuração, arquivada no início deste ano por falta de indícios de irregularidades.

Mas na época em que a promotora Maria Elmira Evangelina do Amaral Dick decidiu instaurar o inquérito em função de uma denúncia anônima, nenhuma informação sobre a origem do terreno onde seria construído o aeroporto foi divulgada pelos departamentos que trabalhavam na obra de R$ 14 milhões.

Na verdade, a promotora da Defesa do Patrimônio Público conduziu a investigação na tentativa de esclarecer se esse despêndio de milhões de reais seria dispensável tendo em vista que Cláudio registrava, naquele ano, pouco mais de 24 mil habitantes; e Divinópolis, “cidade-polo do Centro-Oeste de Minas”, a pouco mais de 50 quilômetros dalí e com quase 210 mil habitantes, também seria alvo de investimentos do programa Proaero.

A denúncia anônima que moveu o inquérito de 2009 (anexado abaixo) sobre o aeroporto de Cláudio não considerava que o terreno escolhido pelo governo mineiro seria de propriedade de Múcio Guimarães Tolentino, ex-prefeito da região e tio-avô de Aécio Neves. A Promotoria não foi informada a respeito dessa escolha. Não consta no inquérito, ainda, a informação de que a pista ficaria a seis quilômetros da Fazenda da Mata, do espólio de Risoleta Neves, mulher de Tancredo, avó de Aécio.

Durante meses de investigação, a promotora Maria Elmira limitou-se a apurar o funcionamento do programa lançado pelo Estado, que prometia intervenções em 160 áreas onde seriam construídas ou melhoradas as condições das pistas de vôo já existentes.

Ela intimou o Departamento de Obras Públicas e a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas a explicarem a origem dos recursos, o método de escolha das áreas favorecidas, o alcance do projeto, as diferenças na funcionalidade dos aeroporto de Cláudio (local) e Divinópolis (regional). Pontos dessa natureza.

Apenas com a revelação de que o aeroporto foi construído na região da fazenda onde Aécio Neves passou a infância, é que o Ministério Público de Minas Gerais decidiu abrir uma nova investigação sobre o caso. Agora, com vistas a descobrir se a obra favorece, de alguma forma, os familiares do presidenciável.

Pesa contra o postulante ao Palácio do Planalto a reportagem da Folha de S. Paulo do dia 20 de julho. Nela, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) expõe que o aeroporto de Cláudio encontra-se em situação irregular. O governo mineiro solicitou registro e autorização para operar em 2011, mas ainda não enviou todos os documentos necessários ao órgão federal.

Além disso, a reportagem traz indícios de que o aeroporto construído com verba pública é um negócio operado, na prática, pela família Tolentino. Uma visita da equipe da Folha à Prefeitura de Cláudio revelou que as chaves do equipamento estavam em posse de um primo de Aécio Neves. Procurado pelo jornal, Fernando Tolentino disse que o presidenciável sempre usa a pista quando viaja à cidade. Aécio não comenta esse ponto.

Frente à proporção do caso, o MP-MG foi orientado a não aprofundar as informações envolvendo o aeroporto. A instituição confirmou, apenas, que o novo procedimento foi distribuído no dia 22 de julho, e que o promotor responsável, Júlio César Luciano, “está analisando os documentos recebidos e levantando informações sobre o assunto e se pronunciará por ocasião da conclusão dessa análise.”

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