De olho na eleição presidencial, alianças promovem dança das cadeiras no RJ

"A movimentação regional de última hora modificou as chapas das principais candidaturas postulantes ao Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro

Maurício Thuswohl, CartaMaior

Classificada como “bacanal eleitoral” pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), a formação de alianças para as eleições deste ano ao governo fluminense movimentou as forças políticas do estado até poucas horas antes do término do prazo oficial para a inscrição das chapas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Tendo como pano de fundo a disputa pela Presidência da República, a movimentação regional de última hora modificou as chapas dos principais postulantes ao Palácio Guanabara e tornou mais nítida a divisão que ocorrerá em torno das candidaturas de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) no estado.

A última reviravolta aconteceu após o PMDB decidir excluir o PDT da chapa do governador Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição. Até então ocupante da vaga de vice-governador na chapa peemedebista, o deputado estadual Felipe Peixoto foi substituído pelo senador Francisco Dornelles, do PP. O motivo da troca foi a insistência do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em se lançar candidato ao Senado de maneira avulsa. Segundo avaliação do comando da campanha de Pezão, a candidatura a senador do dirigente pedetista, que apóia Dilma, colidiria com a candidatura de Cesar Maia, do DEM, que, assim como Dornelles, apóia Aécio.
Embora negada por Pezão, a costura política da aliança branca com o candidato tucano ao Palácio do Planalto foi conduzida pelo presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, e pelo ex-governador Sérgio Cabral com pleno conhecimento do atual governador. Uma vez que Pezão é oficialmente aliado da presidenta Dilma, o – para muitos surpreendente – lançamento de Cesar Maia ao Senado na chapa peemedebista em substituição a Cabral tem como principal objetivo dar a Aécio uma candidatura majoritária para chamar de sua no Rio. A postura dúbia do PMDB fluminense frente à candidatura de Dilma não permitiria que Cabral assumisse satisfatoriamente a missão de dar palanque ao tucano.

Curiosamente, a chegada do ex-prefeito na aliança demotucano-peemedebista esgarçou uma divergência interna do PMDB fluminense, já que Eduardo Paes, antigo discípulo e atual desafeto de Cesar, não escondeu sua contrariedade com o acordo e reagiu anunciando que seria um dos articuladores da campanha de Dilma. Essa movimentação se materializou com a confirmação do nome do vice-prefeito do Rio, o petista Adilson Pires, para coordenar a campanha de Dilma no estado. Além disso, Paes, para irritação de outros integrantes da cúpula regional peemedebista, confirmou que seu candidato ao Senado é Carlos Lupi: “Sou um defensor da candidatura de Dilma”, resume o prefeito do Rio.

“Candidato da Dilma”

Defenestrado pelo PMDB, o PDT foi imediatamente cortejado pelos demais candidatos dos partidos integrantes da base de Dilma ao governo do Rio: Lindbergh Farias (PT), Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR). A Executiva regional pedetista, no entanto, decidiu que manterá o apoio a Pezão, concentrando sua campanha nos nomes de Dilma e Lupi: “Eu continuo apoiando o Pezão e acho que deveríamos todos estar ao lado da Dilma. Infelizmente, o Picciani pegou ódio da Dilma e do Lula desde que eles ignoraram sua candidatura ao Senado em 2010, por isso comandou essa aproximação do PMDB com o Aécio”, diz o ex-ministro.

Lupi diz estar ciente de que aquele que consolidar seu nome junto ao eleitorado como “candidato da Dilma” ao Senado terá boas chances na disputa. Essa posição permanece em aberto na própria candidatura do PT ao governo estadual, já que Lindbergh cedeu a vaga de candidato a senador em sua chapa para o ex-jogador e atual deputado federal Romário Faria, do PSB, que tem um discurso crítico ao governo federal. Segundo fontes petistas, Romário, no entanto, já firmou uma pacto de não agressão à Dilma durante a campanha. Em todo caso, ainda não foi definido como se dará – e se de fato acontecerá - a participação de Eduardo Campos no palanque de Lindbergh e Romário.

Baixinho

Inicialmente, Romário formaria chapa com Miro Teixeira, do PROS. Isso garantiria um palanque exclusivo para Campos no Rio, apesar do apoio do PROS nacional à Dilma, pois Miro se tornou muito próximo de Marina Silva, candidata a vice na chapa do PSB ao Palácio do Planalto. Uma vez desmanchada a candidatura de Miro, que tentará novo mandato de deputado federal, o PROS, estimulado por Dilma e em outra reviravolta surpreendente, acabou indicando a deputada federal Liliam Sá como candidata ao Senado na chapa de Anthony Garotinho. Também selado na última hora, esse acordo garantiu o apoio do ex-governador, que ameaçava apoiar Campos, à reeleição de Dilma.

Outro efeito colateral da aliança de Romário com o PT no Rio foi um início de crise com o PCdoB, aliado de primeira hora de Lindbergh. Após abrirem mão da candidatura da deputada federal Jandira Feghali ao Senado para apoiar o ex-jogador, os comunistas se disseram enganados por Romário, que teria voltado atrás após ter concordado em ceder a primeira suplência ao partido. Por conta disso, o PCdoB chegou a anunciar que relançaria de maneira avulsa a candidatura de Jandira, mas a paz foi finalmente selada com a confirmação do presidente regional do partido, João Batista Lemos, para a primeira suplência de Romário."

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