Quem decidirá se a lei antiterror será criada serão os black blocs

Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

"Vários setores da sociedade civil ficaram contra a proposta surgida no Senado – sob surpreendente consenso entre governistas e oposicionistas – de acelerar a tramitação da lei antiterror. Afinal, lei desse jaez que não seja muito bem cercada por amplos e longos debates poderia se converter em instrumento de repressão a movimentos sociais legítimos.

O próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pediu calma antes de aprovarem a lei em tela de forma passional, sob a comoção do momento em que um trabalhador perdeu a vida por ação dos que têm realizado protestos cujo nível de violência saiu de controle, se é que se pode atribuir qualquer possibilidade de autocontrole à violência.

Contudo, a necessária reflexão que foi levantada e que ecoou junto ao Congresso e ao governo pode ter vida curta. Ou seja: essa lei que assusta a tantos só não será criada a toque de caixa se o clima de comoção passar.
Esse clima de comoção, aliás, já está passando – em alguns momentos, a “capacidade” do brasileiro de esquecer tão facilmente das coisas pode até ter alguma utilidade. Entretanto, a mesma comoção pode retornar como que por mágica se os protestos violentos continuarem ocorrendo.

Há novas manifestações contra a Copa e contra aumento do preço das passagens sendo agendadas pelos que as vêm empreendendo. Visitando as páginas desses “movimentos” nas redes sociais, não se percebe qualquer clima de reflexão. Muito pelo contrário, parecem decididos a não dar a menor pelota para a grita da sociedade."
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