Não confundam “rolezinhos” com “black blocs”

Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

"O fenômeno social “rolezinho” já ameaça se equiparar em importância política às “jornadas de junho” – como se convencionou chamar o movimento de classes média e alta que se espraiou pelo país no ano passado a partir de São Paulo e que levou centenas de milhares de pessoas às ruas por todo país sob a desculpa dos aumentos das passagens do transporte público.

Ao longo das últimas semanas e, sobretudo, dos últimos dias começaram a surgir análises de todos os matizes sobre o fenômeno. Algumas mais profundas e relevantes, outras rasas, burras, preconceituosas.

Com efeito, há hoje um “rolezinho” para cada gosto nas cabeças dos mais diversos analistas.

Em primeiro lugar, vamos acabar com essa história de que haveria qualquer similitude entre os garotos e garotas pobres, em maioria negros e mulatos e oriundos de bairros da periferia de São Paulo e os grupos que foram às ruas praticar quebra-quebras no ano passado.

Pesquisa Datafolha feita no auge das manifestações de junho de 2013 traçou o perfil dos manifestantes. A maioria tinha entre 21 e 35 anos (63%) e ensino superior (78%). Os do “rolezinho” são adolescentes, não usam máscaras do revolucionário inglês Guy Fawkes e não usam roupas de grife propositalmente esfarrapadas, ao estilo bicho-grilo chique.

Outra diferença: esse movimento desorganizado, espontâneo de adolescentes pobres da periferia não é manipulado por partidos, não tem lideranças como as moças e rapazes branquinhos, universitários e de classe média e alta do Movimento Passe Livre que esnobaram políticos que com eles tentaram conversar, como Dilma e Fernando Haddad. E, o que é mais importante, não fizeram uso político das suas movimentações."
Artigo Completo, ::AQUI::

Comentários