Daniel Lima, Agência Brasil
O placar, online, indica que a sonegação fiscal no Brasil está prestes a ultrapassar a casa dos R$ 400 bilhões. Desenvolvido pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Sonegômetro apresenta, em tempo real, o quanto o país deixa de arrecadar todos os dias.
Para o presidente do Sinprofaz, Heráclio
Camargo, a sonegação caminha em conjunto com a corrupção. “A sonegação e a
corrupção caminham juntas porque a corrupção precisa do dinheiro da sonegação
para financiar as campanhas de políticos inescrupulosos e fomentar o círculo
vicioso da lavagem de dinheiro”, disse ele.
“Infelizmente, o Brasil é leniente”,
ressaltou Camargo, porque permite a inscrição, com o Cadastro Nacional da
Pessoa Jurídica (CNPJ), de empresas localizadas em paraísos fiscais. Segundo o
presidente do Sinprofaz, basta procurar em todos os jornais, em notícias recentes
e em todas as operações da Polícia Federal.
“É só observar que, em todos os mensalões
de todos os partidos, usam-se mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, e
o governo federal não muda essa sistemática de permitir que empresas instaladas
em paraísos fiscais sejam donas de hotéis, de restaurantes. São negócios que
têm uma fachada lícita, mas muitos deles servem para lavar dinheiro”, reclamou.
Nos cálculos feitos por Camargo, R$ 400
bilhões representam aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de
todas as riqueza produzidas no país), 25% do que é arrecadado. É 20 vezes
mais do que se gasta com o Bolsa Família. De acordo com Camargo, mesmo com os
questionamentos sobre esse programa, ele é benéfico para a economia, pois os
recursos dele criam um circulo “virtuoso” da economia local. “Imagine se
pegássemos 20 vezes esse valor e investíssemos em saneamento básico, na
melhoria dos salário dos professores e na estruturação das carreiras de Estado.
Seria um outro país, com R$ 400 bilhões a mais do que temos agora.”
Isso sem contar os valores da dívida ativa,
que está em R$ 1,4 trilhão, acrescentou Heráclio. Ele destacou que os
procuradores sequer têm um servidor de apoio por procurador, enquanto os juízes
têm de 15 a
20 servidores. “Os culpados pelo sucateamento da Procuradoria da Fazenda
Nacional são o Ministério da Fazenda e a Advocacia-Geral da União.” Para ele, é
importante que a sociedade cobre, pois existem 300 vagas em aberto para a
carreira de procurador e não há, também, carreira de apoio para combater o que
ele considera "sonegação brutal" [R$ 400 bilhões] e tentar arrecadar
melhor essa dívida de R$ 1,4 trilhão.
“São quase R$ 2 trilhões que estão aí para
ser cobrados, e o governo pune os mais pobres e a classe média com uma tributação
indireta alta e, notadamente, com a contrapartida baixa que é dada pelo Estado
brasileiro, afirmou.”

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