“Se a presidente aceitar o oferecimento de
Edward Snowden, abrigando-o no Brasil e retirando-lhe a mordaça que os EUA lhe
impuseram, aí sim estará dando uma resposta à altura do insulto recebido
Celso Lungaretti, Brasil 247
Seis meses atrás, emergi das sombras da
Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera
de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão
montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como
vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos
abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e
colocaria minha vida em
risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do
mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse
ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão
equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para
mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente
a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato
criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos
humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos
dizem que, pelo bem de nossa própria 'segurança' --em nome da 'segurança' de
Dilma, em nome da 'segurança' da Petrobras--, revogaram nosso direito de
privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da
população de qualquer país, nem mesmo do delas.”
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