Quando cotas questionam a noção democrática

“No Brasil, cada eleitor um vale 1/100.000.000 nas urnas. Aplicar a ponderação das cotas, numa escolha democrática, implica em consagrar a desigualdade e a distorção

Paulo Moreira Leite, ISTOÉ

Leio que avança no Congresso um movimento pela criação de cotas raciais para deputados – estudais e federais – e também para vereadores.

Fui inteiramente favorável às cotas raciais quando o debate envolvia direitos e oportunidades para o cidadão comum ter acesso às universidades publicas. Elas são uma forma de corrigir uma injustiça histórica e assumir que a cultura brasileira contém elementos racistas persistentes e condenáveis.

O debate sobre as cotas raciais na universidade redescobriu a mentira da democracia racial, uma noção que humilha todo cidadão que já foi vítima de atos preconceituosos e envergonha toda pessoa que não perdeu o senso de responsabilidade social.

A proposta de cotas para o parlamento é uma iniciativa do deputado Luiz Alberto, do PT da Bahia. Luiz Alberto é um parlamentar combativo, com compromissos ideológicos sérios e que teve uma atuação destacada na luta pelas cotas para universidade. Demonstrou coragem para enfrentar um debate em que questões teóricas, muitas vezes, serviam como cobertura disfarçada para o preconceito. 

Conversamos várias vezes nos últimos anos sobre a situação do brasileiro negro e preciso admitir que aprendi muito com esses encontros.”
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