“Associação Nacional de Jornais, comandada
por Ricardo Pedreira, anunciou que estuda entrar com ação judicial contra o
jornal espanhol El País, que ontem lançou sua versão em português, em razão da
lei que mantém uma reserva de mercado ao capital nacional; "A ANJ entende
que há um claro desrespeito às normas constitucionais", diz Pedreira; se o
lobby prosperar, bastaria ao El Pais editar da Espanha ou de qualquer outro
país seu conteúdo em português; jornais vão proibir?
A chegada do jornal El País, do grupo espanhol Prisa, ao Brasil, serviu
para demonstrar, mais uma vez, como atua o lobby jurássico dos grandes jornais
brasileiros. Representados pela ANJ, Associação Nacional de Jornais, os grupos
de mídia nacionais anunciaram uma possível ação judicial para retirar do ar a
página. O motivo: a lei que impõe limite de 30% ao capital estrangeiro em
empresas de comunicação.
"A ANJ entende que há um claro desrespeito às normas
constitucionais", disse Ricardo Pedreira, diretor-executivo da ANJ. "Eles
também vão disputar a publicidade, sinal de que atuam como veículo de
comunicação no país. Estamos examinando."
Segundo Juan Luis Cebrián, que dirige o El País, não há qualquer
violação constitucional, uma vez que o jornal eletrônico seria apenas uma
agência online de notícias.
No entanto, ainda que houvesse um drible ao limite de 30% ao capital
estrangeiro, o que impediria o El País de sediar sua operação na Espanha ou em
qualquer outro país do mundo? Seria possível impedir que alguém criasse páginas
noticiosas em português fora do Brasil? Aliás, a própria Folha tem páginas de
notícias em inglês e espanhol, voltadas a leitores de outros países que se
interessam pelo Brasil.
Evidentemente, impedir o acesso a notícias
em português produzidas por grupos internacionais seria impossível, além de
antidemocrático – o que só comprova o apego dos jornalões aos próprios
privilégios.”

Comentários