Roberto Sávio, IPS / Envolverde
“Atualmente poucas pessoas sabem que quando
foram criadas as primeiras agências de notícias, no século 19, a Havas francesa e a
britânica Reuters dividiram o mundo entre elas. A divisão seguiu as fronteiras
dos dois impérios coloniais.
A América Latina foi parar nas mãos da
Havas, enquanto a Reuters ficou com os Estados Unidos.
A primeira agência norte-americana que
rompeu o monopólio foi a United Press International (UPI), alegando que os
Estados Unidos não podiam ser vistos através dos olhos britânicos, um argumento
muito parecido à queixa do Terceiro Mundo contra o monopólio de informação do
Norte.
No mundo da mídia, esta agência era
considerada um gigante, por isso foi uma surpresa quando, em 1986, um
milionário mexicano, Mario Vázquez Raña, comprou a UPI por US$ 41 milhões e
pronunciou a célebre frase: “Eu tinha dois jatos Falcon. Vendi um e comprei a
UPI”.
Desde então a concentração de meios de
comunicação em mãos de multimilionários proliferou. Os casos de Murdoch e
Berlusconi são os mais famosos. Alguns observadores veem nisto um giro à
direita, impulsionado pelos que têm dinheiro. Não se trata de uma teoria da
conspiração. Simplesmente, cem possuidores de uma Ferrari tendem a ter uma
visão mais coincidente sobre as coisas do que, por exemplo, os donos de cem
Volkswagen.”
Foto: Reprodução/ Internet
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