“Entidades representativas da categoria
apelam a 'trabalho escravo' e comunismo para se opor a chegada de
profissionais, já a partir da próxima semana. Governo diz que questão é
humanitária
Secretários municipais de Saúde de cidades do Norte e Nordeste brasileiros
estão animados com a possibilidade de a população receber atendimento médico
por meio do programa federal Mais Médicos, independente da nacionalidade dos
profissionais. Gestores públicos ouvidos pela reportagem da RBA destacam
que o importante é a população ter acesso à atenção básica em saúde e apontam
preocupações mais cotidianas e menos ideológicas sobre o processo. Os
profissionais cubanos começam o atendimento às populações no próximo dia 16.
Segundo o Ministério da Saúde, os 400 médicos cubanos que atuarão na
primeira etapa do programa, por meio de acordo firmado ontem (21) entre o
Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde, serão direcionados
aos 701 municípios que não despertaram o interesse de nenhum profissional
inscrito, seja brasileiro, seja estrangeiro. A maioria das cidades (68%)
apresenta os piores índices de desenvolvimento humano do país (IDH muito baixo
e baixo) e 84% estão no interior do Norte e Nordeste em regiões com 20% ou mais
de sua população vivendo em situação de extrema pobreza. Os demais 358
estrangeiros cadastrados no Mais Médicos vão para as cidades escolhidas no
processo de inscrição no programa.
A secretária de Saúde de Jaboatão dos
Guararapes (PE), Geciane Paulino, afirma que já conhece e tem boas referências
sobre o trabalho dos médicos cubanos. “Eu trabalhei em Cabo do Santo Agostinho
(PE), de 2001 a
2004, e a experiencia lá foi muito positiva. Os médicos atendiam muito bem à
população, que tinha um entrosamento muito grande com eles”, contou.
Geciane considera
que a reclamação das entidades médicas se pauta pela reserva de mercado. “Quem
faz a gestão do SUS não pode ficar restrito à preocupação de uma categoria
profissional. Temos que pensar em todos os brasileiros”, afirmou. O Conselho
Federal de Medicina (CFM) condena o programa avaliando que será uma tragédia.”
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