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Manifestantes
reunidos em frente à prefeitura
de São Paulo na
noite da terça-feira 18
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“Apoio tardio a manifestações, inaugurado
com mea culpa patético de Arnaldo Jabor, não convence sobre paixão repentina de
Bonner e Waack pelas massas
Leandro Fortes, CartaCapital
“As Organizações Globo, como se sabe, agora
apoiam as manifestações do Movimento Passe Livre e as outras que se seguiram
para protestar contra a inflação, a corrupção, a carestia, o aborto, a Copa das
Confederações, a Copa do Mundo, o amor entre iguais, o casamento gay, a caça as
baleias, a minissaia, os médicos cubanos, o pastor Feliciano e o terrível
hábito de certos elementos de peidar sob as cobertas.
Ocorre que como esse apoio foi tardio e,
pior, inaugurado com um mea culpa patético de Arnaldo Jabor, o Bufão do Jardim
Botânico, pouca gente se convenceu ainda da repentina paixão dos Willians (Bonner
e Waack) pelas massas.
Assim, tornou-se praticamente impossível
aos repórteres da Globo comparecer aos protestos sem serem hostilizados pelos
manifestantes. Até a tentativa de tirar os cubos com a identificação da
emissora dos microfones se mostrou inútil. Sempre aparece um estraga prazeres
para gritar: "É da Globo!".
O jeito foi inaugurar uma ampla e ostensiva
cobertura aérea, na qual apreensivos repórteres metidos em voos noturnos de
helicóptero ficam, lá do céu, apontando o inferno na terra.
Engraçado é notar, ainda, que o apoio às
manifestações acabou mudando o léxico das narrações. Antes, quando a linha
editorial era, digamos, jaboriana, todos eram vândalos e desocupados. Agora que
os protestos incluem as bandeiras do mensalão e da hiperinflação imaginária,
quando localizam, lá do alto, os baderneiros quebrando vidraças e incendiando
carros, os repórteres da Globo se referem a eles como "manifestantes mais
violentos".
E a câmara volta para o rosto visivelmente
contrafeito de William Bonner.
A própria imagem da nação ultrajada.”

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