Após vitória, Passe Livre rejeita oportunismo conservador em protestos


Os representantes do MPL querem criar
um conselho de transportes em São Paulo
para garantir transparência

“Movimento informa que vai às ruas hoje para celebrar vitória e cobrar libertação de manifestantes detidos, e promete manter mobilização por transparência e fim do lucro privado no transporte

Rodrigo Gomes, RBA

Militantes do Movimento Passe Livre reafirmaram hoje (20) que vão seguir mobilizados no sentido de conquistar a tarifa zero, garantir a instalação de um conselho municipal de transportes e exigir transparência nos gastos e na operação do sistema por meio do controle social. “Nossa luta é sobre transporte público, aqueles que querem se manifestar sobre outras bandeiras devem ganhar as ruas, se organizar e lutar”, disse o militante Rafael Siqueira. As declarações foram dadas em entrevista coletiva de imprensa no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no centro da capital.

Questionados várias vezes sobre o caminho da atuação, os militantes foram categóricos ao reafirmar a posição do movimento. “Somos anticapitalistas, não temos vínculo partidário, com organizações não governamentais ou financiamentos do Estado. Não temos, por exemplo, a PEC 37 como bandeira”, afirmou a militante Mayara Vivian. “Somos parceiros dos movimentos sem-terra e sem-teto, acreditamos na reforma agrária e na reforma urbana, por exemplo. E reafirmamos que a função do transporte público não é dar lucro para empresário”, completou Mayara.

Após a repressão violenta da Polícia Militar no ato da quinta-feira (13), o movimento ganhou força e cresceu, contando cerca de 100 mil pessoas na manifestação da segunda-feira seguinte (17). Porém, esse crescimento significou também o surgimento de outras bandeiras de reivindicação, embora a revogação do aumento da tarifa permanecesse sendo a pauta central. Questões como a Proposta de Emenda à Constituição número 37, que reduz o poder de investigação do Ministério Público, o combate à corrupção e a redução dos impostos passaram a ser vistas nas manifestações.”
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