“Americana estudou fenômeno que inclui séries,
filmes, jogos e caminhadas. 'É uma alegoria óbvia. Sentimos que, de certa
maneira, estamos mortos'.
Do G1
A moda de marchas, séries de TV, filmes e
games de zumbis pode indicar uma insatisfação da sociedade, aponta a
pesquisadora americana Sarah Lauro, professora da Universidade Clemson, na
Carolina do Sul.
Durante seu trabalho de doutorado na
Universidade da Califórnia em Davis, ela estudou programas como "The
Walking Dead", que no Brasil é transmitido pelo canal a cabo Fox, filmes,
jogos de videogame e, principalmente, caminhadas de "mortos-vivos"
esfarrapados e maquiados que têm ocupado ruas e parques mundo afora para
cambalear, grunhir e dançar.
Sarah destaca que esse fenômeno não é uma
febre casual – nem prejudicial –, mas parte de uma tendência histórica que
reflete um nível de insatisfação cultural e uma revolução econômica.
"Ficamos mais interessados em zumbis
nos momentos em que, como cultura, nos sentimos impotentes. (...) Quando
vivenciamos uma crise econômica, a maioria da população se sente desestimulada.
E simular um zumbi ou ver uma série como 'The Walking Dead' serve como uma
válvula de escape para as pessoas", diz Sarah.
Mas a pesquisadora destaca que essa
insatisfação nem sempre é uma expressão consciente de um sentimento de
frustração.
"Para mim, é uma alegoria óbvia. Sentimos
que, de certa maneira, estamos mortos", afirma.
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| Zumbis marcham em festival de Tel Aviv, em Israel, Saturday, no dia 23 de fevereiro (Foto: Ariel Schalit/AP) |
As marchas de zumbis se originaram em 2003
em Toronto, no Canadá, e a popularidade desses encontros aumentou drasticamente
nos EUA em 2005, junto com a insatisfação da população pela Guerra do Iraque.
"Foi uma forma que as pessoas
encontraram (de se manifestar), pelo fato de se não se sentirem ouvidas pelo
governo Bush. Ninguém queria a guerra, mas estávamos indo de qualquer
maneira", ressalta.
Em meados dos anos 2000, essa moda foi
impulsionada com o lançamento de filmes como "Dawn of the dead"
("Despertar dos mortos", no Brasil) e "28 days later"
("Extermínio"). Depois, vieram outras histórias, como "Meu
namorado é um zumbi", deste ano.
Desde 2012, caminhadas de zumbis já foram
documentadas em 20 países, segundo a pesquisadora. O maior dos encontros reuniu
4 mil participantes no New Jersey Zombie Walk, no Parque Asbury, em Nova Jersey, em
outubro de 2010, segundo o Guinness, o Livro dos Recordes.



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