Flávio Aguiar, Blog do Velho Mundo / RBA
“Quando a gente fala em “Velho Mundo”, o
que vem ao pensamento é a Europa. Ou a Eurásia e a África. Mas a expressão
tem uma dimensão temporal, como demonstra o adjetivo. E nesta dimensão o Velho
Mundo é a pátria da direita brasileira e de seus arautos embora, é claro, eles
Secreto? Cada vez menos. Já nem são
assombrados, são aterrados pela dura realidade de abrirem a janela para ver,
não o Sena, nem o Tâmisa, (por favor, não lembremos o Tejo, também
subdesenvolvido), muito menos o Reno, o Elba e o Mosela, nem mesmo o Hudson e
os Grandes Lagos, mas – horreur!, my God, meus sais! – os nossos rios, do
Oiapoque ao Chuí, e em vez da retilínea Floresta Negra, as retortas da
Amazônia, da Mata Atlântica, do Cerrado, da Caatinga, dos bananais etc.
Até os nossos temperados pinheiros – as
araucárias – são cheios de curvas e obrigados a conviver com aquela mata
confusa que eles abrigam e protegem, em vez de desfrutarem da exclusividade
silenciosa e vertical dos pinheirais europeus e das Rochosas.
A nossa direita vive ainda em tempos de
Casa Grande & Senzala. Imagina-se na Casa Grande, mas isto é uma
espécie de miragem acalentada para compensar o fato de que na sua dura
imaginação empedrada vivem mesmo é num puxadinho da Senzala. A Senzala somos
nós, o Brasil. Eles são, mas não conseguem assim se reconhecer, apenas os
capatazes da Senzala.”
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