A vitória das bancadas ruralista e religiosa


Gabriel Bonis, CartaCapital

"Os congressistas que representam os interesses dos grandes produtores rurais e dos líderes religiosos conquistaram grande evidência nos últimos meses, impondo uma série de derrotas ao governo federal em assuntos caros à presidenta Dilma Rousseff – entre eles, o Código Florestal na Câmara dos Deputados. Mesmo quando não houve votação, como na Lei Geral da Copa – obstruída pela base e oposição até que se estabeleça data para apreciação na Câmara do texto do CF alterado pelo Senado –, ou no “kit-gay”, alvo de críticas da frente evangélica no Congresso e abandonado pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad, o governo saiu enfraquecido.

Esse poder das “bancadas temáticas” torna difícil, em alguns casos quase impossível, para os partidos da base aliada controlarem as votações de interesse do governo federal.

Maria do Socorro Sousa Braga, pós-doutora em Ciência Política e especialista em comportamento político, explica que os interesses das bancadas temáticas criam conflitos internos nos partidos, além de reduzir sua autonomia. “Os partidos têm, em geral, interesse nacional.
Querem atingir o maior público possível e não estão interessados em focar em segmentos específicos.”

Segundo Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), quanto maior o partido e a força destas correntes, mais difícil é controlar seus desejos específicos e fazê-las votar de acordo com a orientação da liderança da legenda. Um fato que, eventualmente, poderia obrigar um partido da base aliada a abandonar essa posição.

Um cenário que começou a ser ilustrado na última semana, quando ruralistas e evangélicos ensaiaram um antigo flerte que pode virar casamento. as bancadas estão perto de lançar uma frente conjunta para votar a Lei Geral da Copa e o novo Código Florestal.”
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