“É só uma questão de tempo, de pouco tempo,
para os gorilões despencarem do alto da torre e virarem qualquer coisa, virarem
JB”
, Congresso em Foco
O que vai matar os jornais impressos é a falta de hábito. Difícil vai ser acabar com o pão quente.
Vocês perceberam como os jornais perderam o viço, perderam o encanto?
As notícias têm outros endereços, e a urgência e a novidade dos jornais encontram-se em qualquer outro lugar. Difícil é encontrar pão quente na farmácia. Há coisa de vinte anos, você acordava ansioso pra ver o que o Paulo Francis havia escrito na Folha. Era o endereço dele. Em nenhum outro lugar você o encontraria, a não ser que vocês frequentassem a mesma padaria. Era o endereço da Marilena Chauí também, que se atravaca ferozmente com o jornalista.
Percebem como ela está quieta? A filósofa se diverte em sua caverna.
Não é nem pelo desaparecimento de Paulo Francis, o que não faltam são genéricos. Nem pela palidez e a falta de charme dos colunistas de hoje, a questão é que o palpite (ou a chatice) deles está em todos os lugares: no seu celular, no google, nos blogues, nas mesas redondas da tevê, na Casa do Saber, no Itaú Cultural, na Flip, no facebook, no tuiter e – por acaso – os encontramos nos jornais impressos e nas revistas semanais.
Tem o ouro quem paradoxalmente se manifesta o mínimo necessário. Marilena Chauí ganha de W.O.
O jornal impresso, hoje, é um ente tão esotérico como o ceguinho do realejo. E o leitor de jornal um excêntrico, como o aposentado que frequenta sebos, não sabe ligar o computador e nunca vai ouvir falar de um treco chamado “estante virtual”.
Certamente para os apaixonados do Largo da
Liberdade, o ceguinho do realejo é mais necessário do que qualquer jornal
impresso, pois ele exerce a função primordial de informar quem o procura, e só
pode ser substituído por outro ceguinho do realejo. O nome disso é
exclusividade. Tem, portanto, razão de existir.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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