Marli Moreira, Agência Brasil
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
anunciou hoje (9) que o governo vai desonerar a folha de pagamento da
indústria, com a isenção da taxa de recolhimento ao Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) que atinge 20% sobre o ganho do trabalhador. O ministro
disse que novos segmentos, que não foram contemplados no Plano Brasil Maior
poderão ter a isenção. A medida integra a iniciativa do governo de reduzir os
custos trabalhistas da indústria para que o setor melhore seu desempenho no
comércio internacional.
O incentivo deverá ser compensado com uma
alíquota a ser cobrada sobre o faturamento, mas cujo percentual ainda está em estudo. Para o
ministro, essa medida deverá elevar o nível de competitividade com os
importados. Ele observou que após a crise financeira de 2008, houve uma
intensificação da concorrência “muitas vezes desleal”.
“Todo o mundo está desesperado para
exportar e o Brasil, como vai indo bem, tem um mercado forte e [por isto] é
mais visado”, disse Mantega. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) indicam que, em janeiro, a produção industrial teve queda de
2,1% ante dezembro e ao longo do ano passado, a atividade no setor cresceu
1,6%, abaixo da média do Produto Interno Bruto (PIB) do país que alcançou 2,7%.
Além de medidas de incentivos para
estimular o setor manufatureiro, o ministro sinalizou que o governo poderá
tomar medidas complementares às que já vem adotando para evitar o desequilíbrio
cambial. Ele deu essas informações após reunir-se em um almoço oferecido pelo
Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com 20 lideranças
empresariais.
Perguntado por jornalistas sobre a
possibilidade de o governo alterar a taxa de rendimento da caderneta de
poupança, Mantega descartou a hipótese, ao dizer que a rentabilidade da taxa
básica de juros (Selic) é maior. Na quarta-feira o Comitê de Política Monetária
(Copom) fez um corte de 0,75 ponto percentual na Selic que passou a ser de 9,75%
ao ano.”

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