Daniella Cambaúva e Murilo Machado,
CartaCapital
“Quem abre o portão da casa de dona
Raimunda é Gerson. Ex-morador do Pinheirinho, convida para entrar e logo mostra
sua perna: ainda cicatriza uma ferida de cerca de vinte centímetros causada por
uma bomba de gás lacrimogêneo que enroscou na barra de sua calça quando ele
deixava a ocupação.
Apesar da dificuldade para andar, conta que
acorda diariamente às 4h da manhã para trabalhar. Ali se sente em casa. Desde a
reintegração de posse, é um dos seis adultos que dividem um cômodo de 15 m² nos fundos do terreno –
entre eles Laura Furtado (mulher de David Furtado, baleado nas costas e levado
ao hospital) e o filho do casal, Vinicius, de dez meses.
Na parte exterior da casa formada apenas
por quarto, banheiro e cozinha, além do quartinho nos fundos, um corredor
estreito de chão e parede acabados com cimento leva ao abrigo provisório de
Gerson e os amigos.
Aquele cômodo é tudo: sala, quarto,
cozinha. Cabe lá dentro o que eles conseguiram resgatar antes da demolição –
dois armários – e mais alguns móveis que obtiveram por meio de doações: uma
cama de casal, uma geladeira, um fogão, uma tevê pequena e alguns colchões.”
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