Paróquia que abrigou ex-moradores vai montar memorial do Pinheirinho


Trinta dias após a reintegração de posse, famílias ainda recorrem a doações de igreja; objetos perdidos nos escombros farão parte do acervo

Letícia Cruz, Rede Brasil Atual

A paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São José dos Campos, interior paulista, vai fazer um memorial às 1.600 famílias que perderam casas e pertences na reintegração de posse da comunidade Pinheirinho, ocorrida em 22 de janeiro. A igreja, situada no bairro próximo ao terreno, no Campo dos Alemães, serviu de abrigo a pelo menos 200 ex-moradores que não tinham para onde ir na noite em que foram desalojadas. Até hoje, 30 dias após a operação, o Centro de Promoção Humana Dr. Oscar Homero, responsável pelo atendimento dessas famílias, recebe pedidos para doação, que vão desde produtos de higiene a cestas básicas e roupas.

Davina Souza Fernandes, que trabalha no Centro, garante conhecer "mais da metade" das pessoas do Pinheirinho por lidar diariamente com cerca de 80 pedidos de cestas. “Até me emociono em falar deles. Todo mundo diz que ali é uma pequena porcentagem que precisa de ajuda. Eu vejo que é o contrário: são muitos os necessitados. O pessoal que vem aqui é realmente carente”, disse. O cadastro das famílias para recebimento das doações serve também para comprovar à prefeitura que as pessoas moravam no Pinheirinho e que tenham direito ao auxílio-aluguel, de R$ 500.

Ex-moradores ainda vão até a paróquia para entregar objetos encontrados no terreno, após a procura por documentos e bens perdidos. Uma das ex-moradoras resgatou um álbum de fotos que estava no meio dos escombros e levou até a igreja. “Trouxeram isso aqui para mim e me pediram para achar a dona dele, porque é família de lá (do Pinheirinho). Vou tentar localizar”, disse, exibindo as fotos perdidas.”
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