“Estimo que, de fato, estamos face a um
juízo global sobre nossa forma de viver na Terra e sobre o tipo de relação para
com ela”
, Congresso em Foco
O final do ano oferece a ocasião para um
balanço sobre a nossa situação humana neste planeta. O que podemos esperar e
que rumo tomará a história? São perguntas preocupantes, pois os cenários
globais apresentam-se sombrios. Estourou uma crise de magnitude estrutural no
coração do sistema econômico-social dominante (Europa e USA), com reflexos
sobre o resto do mundo. A Bíblia tem uma categoria recorrente na tradição
profética: o dia do juízo se avizinha. É o dia da revelação: a verdade vem à
tona e nossos erros e pecados são denunciados como inimigos da vida. Grandes
historiadores como Toynbee e von Ranke falam também do juízo sobre inteiras
culturas. Estimo que, de fato, estamos face a um juízo global sobre nossa forma
de viver na Terra e sobre o tipo de relação para com ela.
Considerando a situação num nível mais
profundo que vai além das análises econômicas que predominam nos governos, nas
empresas, nos foros mundiais e nos meios de comunicação, notamos, com crescente
clareza, a contradição existente entre a lógica de nossa cultura moderna, com
sua economia política, seu individualismo e consumismo e entre a lógica dos
processos naturais de nosso planeta vivo, a Terra. Elas são incompatíveis. A
primeira é competitiva, a segunda, cooperativa. A primeira é excludente, a
segunda, includente. A primeira coloca o valor principal no indivíduo, a
segunda no bem de todos. A primeira dá centralidade à mercadoria, a segunda, à
vida em todas as suas formas. Se nada fizermos, esta incompatibilidade pode nos
levar a um gravíssimo impasse.
O que agrava esta incompatibilidade são as
premissas subjacentes ao nosso processo social: que podemos crescer
ilimitadamente, que os recursos são inesgotáveis e que a prosperidade material
e individual nos traz a tão ansiada felicidade. Tais premissas são ilusórias:
os recursos são limitados e uma Terra finita não agüenta um projeto infinito. A
prosperidade e o individualismo não estão trazendo felicidade mas altos
níveis de solidão, depressão, violência e suicídio.”
Artigo Completo, ::Aqui::
Comentários