“Quem não tem uma canção na vida? Aquela
que marcou época, o primeiro beijo, a primeira transa, uma viagem, uma mudança,
uma situação inesquecível? Música às vezes funciona como cheiro que quando bate
nos faz lembrar. Uma fumaça que passa pode nos levar à beira de um fogão à
lenha a quilômetros e quilômetros da metrópole até uma pequena fazenda no
sertão.
Alberto Villas, Carta Capital / Vermelho
Músicas perdidas no ar vivem grudadas na
memória. Mais de três décadas depois ainda hoje quando ouço Ednardo cantando
Carneiro viajo até a Rue de la
Roquette no outrora mais comunista dos bairros de Paris onde
um grupo de exilados ouviu junto a canção pela primeira vez.
“Amanhã se der o carneiro/Carneiro/Vou-me embora pro Rio de Janeiro.”
Tenho um amigo que não pode ouvir Movimento dos Barcos na voz de Jards Macalé. Enfiado num terno no décimo andar de um prédio na Avenida Paulista ele tem vontade de vestir uma calça vermelha, um casaco de general, encher os dedos de anéis e sair por aí, pegar um velho navio acreditando que não precisa de muito dinheiro, graças a Deus.
Voltando à França dos anos 1970 ainda me lembro bem daquele sábado de final de dezembro num quarto de hotel em Gobelins ouvindo numa velha fita K-7 ao lado de Augusto Boal a canção que Chico fez pra ele.
“Amanhã se der o carneiro/Carneiro/Vou-me embora pro Rio de Janeiro.”
Tenho um amigo que não pode ouvir Movimento dos Barcos na voz de Jards Macalé. Enfiado num terno no décimo andar de um prédio na Avenida Paulista ele tem vontade de vestir uma calça vermelha, um casaco de general, encher os dedos de anéis e sair por aí, pegar um velho navio acreditando que não precisa de muito dinheiro, graças a Deus.
Voltando à França dos anos 1970 ainda me lembro bem daquele sábado de final de dezembro num quarto de hotel em Gobelins ouvindo numa velha fita K-7 ao lado de Augusto Boal a canção que Chico fez pra ele.
“Meu caro amigo, me perdoe, por favor/Se eu
não lhe faço uma visita/Mas como agora apareceu um portador/Mando notícias
nessa fita/Aqui na terra tão jogando futebol/Tem muito samba, muito choro e
rock and roll/Uns dias chove, noutros dias bate sol/Mas o que eu quero é lhe
dizer/Que a coisa aqui tá preta/Muita mutreta pra levar a situação/Que a gente
vai levando/De teimoso e de pirraça/E a gente vai tomando, que também/Sem a
cachaça/Ninguém segura esse rojão.”
O rei Roberto, esperto, soube traduzir bem tudo isso cantando As canções que você fez pra mim.
“Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim/Não sei por que razão tudo mudou assim/Ficaram as canções e você não ficou.”
O rei Roberto, esperto, soube traduzir bem tudo isso cantando As canções que você fez pra mim.
“Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim/Não sei por que razão tudo mudou assim/Ficaram as canções e você não ficou.”
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