Daniel Fávero, Portal Terra
“As primeiras edições do Fórum Social
Mundial (FSM), nascido em
Porto Alegre no começo da década passada, geraram muito
estardalhaço em um evento que se propunha a ser um contraponto ao Fórum Mundial
Econômico de Davos. Desde então, passou a adotar diferentes formatos em
diversos países, mas sem deliberações ou ações significativas. Para o sociólogo
Sérgio Coutinho, autor do livro Movimento dos Movimentos, o Facebook tem
contribuído muito mais que o FSM para as mobilizações sociais.
"Desses movimentos mais recentes como
o Occupy Wall Street, a Via Campesina, na América Latina, e a Primavera Árabe
nenhum deles surgiu desses fóruns. Não há nenhum movimento significativo
internacional anticapitalista que tenha surgido daquele que seria o maior
deles. Ele talvez contribua para que se encontrem, mas o Facebook tem
contribuindo muito mais", afirma.
As críticas quanto ao formato e a
orientação ideológica-partidária do FSM são muitas na avaliação do sociólogo.
Para ele, apesar do grande estardalhaço gerado na década passada, os
compromissos firmados eram sempre muito genéricos. "Centenas de pessoas
unidas assistindo a mesma mesa ou conferência, parecia ser mais significativo
do que o que fariam depois", disse Coutinho sobre o formato pós-moderno
que o evento acabou adotando.
Segundo ele, os organizadores são
vinculados ao Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Sul, o que fez
com que, depois da internacionalização, o evento se tornasse "a expressão
internacional de um partido", enfraquecendo o evento, mas fortalecendo as
organizações.
"À medida que ele se internacionaliza,
vai perdendo essa identidade complicada que ele teve nas primeiras edições no
Brasil e permite a integração de organizações que estavam espalhadas em cada
país. Se marca se enfraquece, os movimentos tem se fortalecido", disse ao
comparar o fórum a eventos como o Rock In Rio e até ao Fórum Mundial Econômico.
"Se tornou um primo do fórum de Davos. Ambos discutem redução de juros
internacionais, ambos discutem impostos sobre a riqueza, desenvolvimento
sustentável, não ficou mais algo de um ser capitalista e o outro se
anticapitalista".
O Terra entrou em contato com os
responsáveis pela organização do FSM no começo da década passada, mas até a
publicação desta matéria, não havima se pronunciado.”
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