“O budismo é a religião que mais cresce nos
países ocidentais nas últimas décadas. Surgido na Índia há 2500 anos, muitas de
suas ideias hoje são defendidas pela ciência, a medicina e a psicologia
modernas
Brasil 247 / Revista Oásis
Muita gente célebre virou budista. Casos
notórios de estrelas como o ator Richard Gere, a cantora Tina Turner, o músico
Jean Michel Jarre, publicamente convertidos, parecem constituir apenas a ponta
de um iceberg, cujas verdadeiras dimensões ainda permanecem submersas.
O budismo é a religião que mais cresce no
Ocidente nas últimas décadas. Por que ele faz tanto sucesso no mundo moderno da
tecnologia, da produtividade e do consumismo? Para começar, o budismo recusa
definir a si próprio como religião. Prefere o termo “filosofia de vida”. Embora
criado no século 5 antes de Cristo por um príncipe do norte da Índia, Sidarta
Gautama, o conceito de base dessa filosofia é idêntico ao da ciência e da
psicologia modernas: a idéia do holismo. Holismo vem do grego holos,
“totalidade”. Significa que no universo nada existe separado do todo; há uma
unidade essencial de todas as coisas; o homem é parte dessa unidade; não é
possível qualquer mudança numa parte sem que o todo não seja também afetado; da
mesma forma, qualquer mudança no todo afetará cada uma das suas partes.
Até na ecologia o holismo budista está
presente: qualquer alteração introduzida num aspecto da natureza provocará uma
reação em cadeia que irá alterar todos os demais aspectos. Quando se polui o
ar, por exemplo, fatalmente irá se poluir também as águas e a terra, bem como o
organismo de todos os seres que respiram, humanos inclusive. A mesma idéia está
no cerne das psicologias contemporâneas e da medicina psicossomática. Um
problema de tipo emocional acabará por desencadear disfunções no corpo físico,
no equilíbrio da mente e em todas as demais partes do ser humano. Da mesma
forma, um distúrbio mental, ou físico, afetará rapidamente todo o resto.
A modernidade do budismo não termina aí. Sua
doutrina afirma que a única possibilidade de se chegar à plenitude, de se
conquistar uma relativa felicidade, é “cair na real”. É compreender e aceitar a
realidade como ela é, no aqui-agora. Ao contrário da maioria das religiões,
paraísos fantasiosos, soluções mágicas para os problemas, esperanças de uma
existência melhor após a morte, não fazem parte da visão budista.
Assumir a realidade, por mais dura e
difícil que ela seja, é o primeiro passo que o budismo aconselha para quem
deseja viver melhor. Boa ilustração disso é o episódio da vida de Sidarta
Gautama que assinala a origem da sua aventura espiritual. Tudo começou, segundo
a lenda, quando ele, com quase trinta anos, decidiu sair pela primeira vez do
palácio de seu pai para conhecer o mundo. Sidarta era casado com uma linda
mulher e tinha um filho pequeno. Seu pai, rajá da tribo dos Sakya, desde o
nascimento o proibira de ultrapassar os muros do palácio, sob o pretexto de
poupá-lo da visão de qualquer miséria. Por isso, Sidarta desfrutara ao máximo
de uma vida de luxos e prazeres mundanos.”
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Comentários
Os deuses estão morrendo.
Pq simplesmente acabar com um religião precisaria de muito tempo, enquanto alguns viram budistas, pode ter certeza que tem budista virando cristão e isso vale para todas as religiões ou estilos de vidas existentes.
Afinal, achar que a grama do vizinho é sempre mais verde é inerente ao ser humano.
Sou ateu, mas se for para ter uma religião, que seja a budista!