“Cerca de 1.600 famílias foram deixadas sem
teto após despejo da Polícia Militar em São José dos Campos, interior paulista; órgão da
ONU afirma que operação foi efetuada de forma inadequada: nas primeiras horas
da manhã de domingo e sem aviso prévio
Claudio Julio Tognolli, Brasil 247
A Anistia Internacional pede que as
autoridades brasileiras atendam com urgência as necessidades de aproximadamente
1.600 famílias que foram deixadas sem teto devido à execução de um despejo
forçado em um assentamento no estado de São Paulo. A expulsão, que teve início
no domingo, foi efetuada sem aviso prévio, quando negociações com os moradores
estavam em andamento e sem que fossem disponibilizadas moradias alternativas.
Confrontos violentos entre policiais e
moradores se estenderam até a segunda-feira, depois que um juiz estadual
determinou que quase dois mil policiais executassem a reintegração de posse da
área, localizada na periferia da cidade de São José dos Campos. Segundo o
comando da polícia, o despejo será concluído no dia 25 de Janeiro de 2012. "Esse
despejo viola uma série de normas internacionais", disse Átila Roque,
diretor da Anistia Internacional Brasil.
"A operação foi efetuada de modo
totalmente inadequado: nas primeiras horas da manhã de domingo e sem nenhum aviso
apropriado. A expulsão foi levada a cabo apesar de as autoridades estarem em
meio a uma negociação que visava encontrar uma saída pacífica", afirmou.
Sem qualquer aviso prévio, a polícia de
choque chegou ao local às 6 horas da manhã de domingo, com o apoio de veículos
blindados e helicópteros, usando gás lacrimogêneo e balas de borracha. As
autoridades cortaram o fornecimento de energia, gás e telefone, além de
isolarem a área com cordão de segurança e restringirem o acesso às residências.
Cerca de 30 pessoas foram presas depois que
alguns moradores do assentamento, que já existia há oito anos, resistiram à
expulsão montando barricadas, incendiando veículos e atirando pedras e pedaços
de pau.”
Foto: Anderson Barbosa/Agência Estado
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