Ana Cláudia Barros, Terra Magazine
"A queda do ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, não deve provocar abalos significativos na relação entre governo e PDT,
partido da base aliada que conta com 26 deputados e cinco senadores. A
avaliação é do cientista político, João Paulo Peixoto, da Universidade de
Brasília (UnB). Em entrevista a Terra Magazine, ele destaca que a atenção deve
se voltar agora para a maneira como a presidente Dilma Rousseff irá substituir
Lupi. Pressionado, pediu demissão no domingo(4), após denúncias de corrupção na
pasta.
- Ela tem três alternativas: colocar outro
representante do PDT, passar o Ministério do Trabalho para outro partido ou,
simplesmente, extinguir o Ministério do Trabalho e fundi-lo com o da
Previdência. Essa seria melhor escolha. É preciso urgentemente diminuir o
número de ministérios para dar mais eficiência ao governo. Reduzir
drasticamente. O enxugamento do aparato administrativo do governo é inadiável -
avalia.
Peixoto critica o chamado
"presidencialismo de coalizão" e diz que "com algum sacrifício,
mas com uma boa dose de autoridade, é possível reverter esse quadro".
- Enquanto não acabar esse
"loteamento" da administração pública em troca de apoio político para
manter o chamado presidencialismo de coalizão, nós não vamos ter o fim dessa
prática (corrupção). E isso não se refere a apenas ministérios. Tem acontecido
em praticamente todos os escalões da administração pública. A questão
fundamental está nesse modelo que vem sendo adotado.
Terra
Magazine - A saída do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, marca a sétima queda
na Esplanada dos Ministérios neste ano. A maioria delas teve relação com
denúncias de corrupção? Até que ponto chamada "política de coalizão"
interfere neste cenário?
João Paulo Peixoto - Enquanto não acabar esse "loteamento" da administração pública em troca de apoio político para manter o chamado presidencialismo de coalizão, nós não vamos ter o fim dessa prática (corrupção). E isso não se refere a apenas ministérios. Tem acontecido em praticamente todos os escalões da administração pública. A questão fundamental está nesse modelo que vem sendo adotado.
João Paulo Peixoto - Enquanto não acabar esse "loteamento" da administração pública em troca de apoio político para manter o chamado presidencialismo de coalizão, nós não vamos ter o fim dessa prática (corrupção). E isso não se refere a apenas ministérios. Tem acontecido em praticamente todos os escalões da administração pública. A questão fundamental está nesse modelo que vem sendo adotado.
Como
reverter isso, uma vez que a política de coalização é algo já arraigado?
Isso tem sido praticado pelos presidentes, muitas vezes, independentemente da vontade deles. Enquanto persistir esse multipartidarismo ilimitado, será difícil resolver isso. Acredito que, mesmo assim, o governo, não importa quem seja o presidente, deveria adotar critérios mais rígidos para a escolha dos ministros. Não há nenhuma lógica entregar um ministério ou determinados cargos na administração pública sem que isso traga benefícios em termos de eficiência, de melhoria na prestação de serviço público. Questões técnicas têm que ser tratadas por especialistas, que podem até ser indicados pelos partidos.
Com algum sacrifício, mas com uma boa dose de autoridade, é possível reverter esse quadro. Nós tivemos sete ministros que deixaram o governo. Não houve abalo político. Na medida em que Dilma afasta essas pessoas, ela ganha respeito da opinião pública.”
Isso tem sido praticado pelos presidentes, muitas vezes, independentemente da vontade deles. Enquanto persistir esse multipartidarismo ilimitado, será difícil resolver isso. Acredito que, mesmo assim, o governo, não importa quem seja o presidente, deveria adotar critérios mais rígidos para a escolha dos ministros. Não há nenhuma lógica entregar um ministério ou determinados cargos na administração pública sem que isso traga benefícios em termos de eficiência, de melhoria na prestação de serviço público. Questões técnicas têm que ser tratadas por especialistas, que podem até ser indicados pelos partidos.
Com algum sacrifício, mas com uma boa dose de autoridade, é possível reverter esse quadro. Nós tivemos sete ministros que deixaram o governo. Não houve abalo político. Na medida em que Dilma afasta essas pessoas, ela ganha respeito da opinião pública.”
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