“Para Joseph Stiglitz, movimento quer pouco, em termos
econômicos. Mas reivindica democracia não-controlada pelo dinheiro – por isso é
revolucionário
Joseph Stiglitz, Outras Palavras
“Para o Egito e a Espanha tornou-se agora
global. Os protestos abraçaram Wall Street e dezenas de cidades nos Estados
Unidos. A globalização e as novas tecnologias permitem aos movimentos sociais
vencer fronteiras tão rapidamente quanto as ideias. E os protestos sociais
encontraram terreno fértil em toda a parte. Um sentimento de que “o sistema”
faliu, e a convicção de que, mesmo nas democracias, o processo eleitoral não é
suficiente – ao menos, sem forte pressão das ruas.
Em maio, estive no local onde se deram
protestos, na Tunísia. Em julho, falei para os indignados da Espanha. De lá,
fou ao Cairo, encontrar os jovens revolucionários na Praça Tahrir. Há algumas
semanas, falei com o pessoal do Occupy
Wall Street, em Nova
York [foto]. Uma frase simples, criada por eles, expressa um
pensamento comum: “Somos 99%”.
O slogan ecoa no título de um artigo que
recentemente publiquei: “Do 1%, para o 1% e pelo 1%”. Ele descreve o enorme
aumento de desigualdade nos Estados Unidos, onde 1% da população controla mais
de 40% da riqueza e recebe mais de 20% da renda. E os que pertencem a este
grupo rarefeito são frequentemente remunerados, de forma extravagante, não por
terem contribuído para a sociedade, mas porque são, para dizer de forma franca,
bem-sucedidos (e às vezes corruptos) caçadores de rendas alheias.
Esta afirmação não nega que alguns entre o
1% tenha feito contribuições importantes à sociedade. Na verdade, os benefícios
sociais de algumas inovações reais (ao contrário dos “produtos” financeiros que
acabaram desencadeando destruição na economia mundial) são bem maiores do que
aquilo que os inovadores recebem.
Mas, em todo o mundo, influência política e
práticas de oligopólio (frequentemente garantidas por meio da política) foram
centrais para o aumento da desigualdade econômica. E os sistemas tributários
nos quais um bilionário como Warren Buffett paga percentualmente menos impostos
que sua secretária – ou em que os especuladores que ajudaram a derrubar a
economia global são menos tributários do que os trabalhadores – reforçaram a tendência
.”
Tradução: Antonio Martins
Matéria Completa, ::Aqui::

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