O horizonte está aberto


“Para Žižek, o capitalismo perdeu legitimidade e já não é sinônimo de democracia, mas o que virá pode ser pior

Tom Ackerman, Al Jazeera / Outras Palavras

Depois de discursar para os manifestantes do Occupy Wall Street, em Nova York, o filósofo esloveno Slavoj Žižek voltou à carga. Agora, concedeu uma longa entrevista à rede de televisão árabe Al Jazeera, na qual voltou a comentar — sob diversos prismas — os novos movimentos anti-capitalistas que se espalham pelo mundo. Dos rebeldes maoístas indianos, dos quais pouco se fala no Ocidente, aos hits midiáticos dos indignados europeus e norte-americanos.

“Entendo que o que está acontecendo hoje já dá motivo para algum otimismo modesto. Mas não se pode esperar que aconteçam milagres”, afirma. “Nos aproximamos de tempos interessantes.”

Os tempos interessantes, porém, não escondem incertezas. Ao constatar que vivemos um período de abertura histórica, em que o sistema parece perder legitimidade e que uma mudança de paradigmas é possível, Žižek lembra que a ascensão do nazismo na Alemanha aproveitou-se de uma conjuntura semelhante de dúvidas e indecisões políticas. “Se não fizermos alguma coisa, nos encaminharemos, gradualmente, para um novo tipo de sociedade autoritária — que, claro, não será o velho fascismo”, acredita.

“Houve pelo menos uma coisa muito boa no capitalismo: mais cedo ou mais tarde, o sistema trouxe sempre uma demanda por democracia”, analisa o filósofo, sem esquecer que foram regimes ditatoriais que aprofundaram o capitalismo em países como Chile e Coreia do Sul, hoje democráticos. “Acabou o casamento entre capitalismo e democracia”, diz. “Temo que, com esse capitalismo de valores asiáticos, como o que observamos na China e em Cingapura, cheguemos a um capitalismo muito mais eficiente, mais dinâmico do que o nosso capitalismo ocidental.”

Porém, Žižek acusa a esquerda de haver adotado inconscientemente a visão de Francis Fukuyama, pai da teoria sobre o fim da história — e mentor intelectual do neoliberalismo. Eis uma das razões para a inexistência de propostas alternativas ao capitalismo. “Nem a esquerda radical está se perguntando o que tem a oferecer para substituir o sistema. Só fazem pedir mais direitos sociais, mais direitos para as mulheres, mais justiça social, sempre dentro do capitalismo.”
Entrevista Completa, ::Aqui::

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