Mudança no Código Florestal vai a última etapa antes do plenário do Senado


“Jorge Viana (PT-AC) apresenta na quarta-feira relatório na Comissão de Meio Ambiente, e governo ainda espera por seis mudanças para diminuir risco de recuos à atual legislação

João Peres, Rede Brasil Atual

O senador Jorge Viana (PT-AC) apresenta na próxima quarta-feira (16) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) o relatório sobre as mudanças no Código Florestal. O texto deve ser votado já na terça-feira seguinte, dia 22, última etapa antes de chegar a plenário.

O relatório do petista é a última esperança de ambientalistas para reverter algumas das medidas que consideram nocivas. A tramitação na Câmara, que teve como relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi marcada por forte ofensiva da bancada de representantes do agronegócio, que conseguiram encaminhar o perdão ao desmatamento feito até 2008 nas propriedades com quatro módulos fiscais. No Senado, os ruralistas conseguiram impor como relator em três comissões Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). Como governador catarinense, ele foi um dos incentivadores do projeto que enfraqueceu, no âmbito local, as exigências quanto à preservação das matas – a validade do texto aguarda julgamento do Supremo Tribunal Federal.

“O principal foco da proteção tem que ser a água. Não tem como plantar e criar sem água”, afirmou na última semana Jorge Viana, em um indicativo de que algumas das questões que afligem os defensores da atual legislação podem não sofrer recuo. Mantido o relatório de Luiz Henrique, cairá a exigência de manutenção de matas ciliares, que são as que margeiam rios, o que provoca o medo de assoreamento dos cursos d'água.

O cenário na Comissão de Meio Ambiente é diferente também quanto à presidência. Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) chegou a ser cotado para ser o relator, e não vê com bons olhos as mudanças que simplesmente favoreçam aos interesses dos grandes produtores rurais. É o momento em que os ambientalistas esperam reverter a possibilidade de que Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas quais exista produção deixem de ser recuperadas. "Desde o primeiro momento defendo que através do entendimento vamos promover mudanças graduais no projeto. Tenho total confiança na capacidade dos dois relatores, que deverão construir um texto para resolver o problema da recuperação das APPs que seja melhor para o Brasil”, disse.”
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