“Eleitores
podem optar por quem quiserem, domingo. Mas chanceler alemã e “mercados” já
definiram programa que novo governo executará
Pep Valenzuela, Outras Palavras
Os quinze dias da curta campanha eleitoral
na Espanha terminam este domingo, 20 novembro — quando as urnas vão decidir o
próximo governo. De acordo com todas as pesquisas, o chamado de Partido Popular
(PP), direitista e fundamentalista católico, deve alcançar uma vitória
gigantesca, atingindo uma maioria absoluta de deputados e senadores que, de se
confirmada, permitirá governar e legislar sem precisar de alianças ou apoio
algum no Parlamento. Confirmados os prognósticos, ao social-liberal PSOE
restará uma derrota humilhante.
Embora a maior parte da população seja simpática
ao movimento dos indignados, sua influência na política institucional será
nula, segundo também revelam as pesquisas e análises. As multidões que ocuparam
praças em todo o país, e que em cinco meses transformaram-se num marco
importante da paisagem social e cultural do país não pesarão em favor de
nenhuma das opções eleitorais disponíveis. Também não puderam — ou não quiseram
— utilizar o momento do voto para acumular forças para o futuro.
Mas nesta hora, todo isso quase que passa
para o segundo plano. Depois de três anos de políticas para resolver a chamada
de “crise financeira”, seguindo à risca as indicações do padrão neoliberal, o
futuro é ainda mais perigoso e desalentador. A substituição dos governos
grego e italiano (por piores que fossem, eleitos pelos cidadãos) por duas
equipes de “tecnocratas”, supostamente alheios à política é um tremendo golpe
contra a soberania e a democracia na Europa.”
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