“Elevação do piso, considerado vilão em
épocas de economia aquecida, deve garantir retomada do crescimento no primeiro
trimestre
Marcelo Rehder, O Estado de S. Paulo
O reajuste de 14,3% no valor do salário
mínimo, que passa dos atuais R$ 545 para R$ 622,73 em janeiro, deverá injetar
cerca de R$ 64 bilhões na economia brasileira em 2012. A destinação desses
recursos para consumo ou pagamento de dívidas tende a acelerar os negócios e
permitir que o Produto Interno Bruto (PIB) volte a crescer no primeiro
trimestre do ano que vem, depois de ficar praticamente estagnado ao longo do
segundo semestre de 2011.
"Nossa estimativa é de que o PIB
brasileiro volte a crescer em um ritmo de 0,8% no primeiro trimestre de 2012,
principalmente por causa do impulso dado pelo salário mínimo em um período que
tradicionalmente é fraco", diz o economista-chefe da LCA Consultores,
Bráulio Borges, autor do estudo sobre o impacto do aumento do mínimo no
crescimento econômico do País.
Nesse cenário, o aumento do mínimo em 2012
passa de vilão a mocinho. No lugar de dar mais combustível à escalada da
inflação, como criticavam economistas e empresários, essa montanha de dinheiro
passou a ser bem vinda para reacelerar a economia brasileira. "Se isso
viesse num momento de atividade econômica excitada, promoveria muita
preocupação", diz Paulo Francini, diretor da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp). "Porém, vem em um momento em que a economia
dá sinais de redução e queda até maiores que o previsto."
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