Marcelo Semer, Terra Magazine
“O recente escândalo na Assembleia
Legislativa de São Paulo nos dá oportunidade de perceber o absurdo das emendas
parlamentares.
O deputado Roque Barbieri (PTB) declarou em
entrevista que cerca de um terço dos deputados estaduais vende suas emendas,
recebendo em troca, percentuais dos valores reservados para as respectivas
obras.
O também deputado Bruno Covas (PSDB),
atualmente secretário do Meio Ambiente do governo Alckmin, chegou a admitir ter
sido procurado por um prefeito, que lhe ofereceu 10% do valor que o Município
receberia.
Soube-se, então, por intermédio de
reportagens do jornal O Estado de S. Paulo, que a origem e destinação das
emendas da assembleia paulista não eram tornadas públicas e, quando o foram, em
razão do episódio, mostraram alguns deputados que apadrinhavam obras de lugares
de onde jamais receberam votos. Isso só aumentou a suspeita sobre a negociação
das emendas.
O jornal apurou, ainda, que até mesmo
deputados federais paulistas tinham, por vias transversas, acesso a essas
emendas.
Roque Barbieri já ficou conhecido como o
'Roberto Jefferson' da Assembleia Legislativa, referência ao deputado federal
que em entrevista-bomba denunciou a existência de mensalão na Câmara dos
Deputados.
Mas, em São Paulo, dificilmente
a questão resultará na abertura de uma CPI, pela forte resistência do bloco
governista, amplamente majoritário na casa.
Independente da veracidade ou não da
negociata das emendas parlamentares, é preciso entender que a perversão reside
na própria existência delas.
A ideia de que deputados tenham uma cota do
orçamento para distribuir a seus currais eleitorais é a mais pura expressão do
patrimonialismo e da fisiologia.”
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