Luiz Felipe Carneiro, CartaCapital
“Um belo
dia, o público vai descobrir que o seu ídolo tem pés de barro, e é uma coisa
muito dolorosa porque messias não existem” (Renato Russo)
Parece que foi ontem, e talvez tenha sido
mesmo, que Renato Russo morreu. Mas lá se vão 15 anos. O que, sob um ponto de
vista, pode parecer uma eternidade.
Eternidade porque Renato Russo foi o último
ídolo do rock brasileiro. Depois dele, não veio mais ninguém. E, arrisco dizer,
nunca mais virá, até mesmo porque o rock brasileiro não fabrica mais nada de
minimamente razoável já faz tempo.
Às vezes eu me pergunto o que fez de Renato
Russo um ídolo.
Encontro a resposta facilmente em seus
álbuns, especialmente nos da Legião Urbana.
Um dos primeiros LPs que Renato Russo
ganhou foi o “White Album”, dos Beatles, quando ele morava em Nova York e tinha nove
anos de idade. E isso explica muita coisa. A influência do tal disco branco, de
certa forma conceitual, pode ser ouvida em qualquer trabalho da Legião. Ao invés
de um amontoado de faixas, cada álbum da Legião Urbana era um “Álbum”, daqueles
com início, meio e fim. Impossível de ser entendido sem a cuidadosa audição da
primeira à última faixa.
Eu
fico imaginando os intermináveis exercícios de Renato Russo, Dado Villa-Lobos,
Marcelo Bonfá e Renato Rocha (esse último até o terceiro disco, “Que país é
este”) para chegar à relação final das faixas. E imagino o quanto Renato Russo
não ficou louco, onde quer que estivesse, quando, recentemente, relançaram os
discos da Legião em vinil, e, devido a um erro da fábrica, “Soldados” encerrou
o lado B do trabalho de estreia da banda, ao invés de “Por enquanto”.
Acho que a Legião começou a se transformar
no que foi quando, na infância, Renato Russo sofreu de uma rara doença chamada
epifisiólise, que o deixou seis meses sem poder se levantar da cama. Nesse
período de convalescença, Renato fundou a fictícia 42th Street Band. Não
existia música, é verdade, mas Renato bolou capas de discos, nomes de músicas e
até uma biografia para a sua banda imaginária. O líder do conjunto se chamava
Eric Russell.”
Artigo Completo, ::Aqui::

Comentários
nao corre RISCO nenhum- está certo amigo - acabou . Eu gostaria de estarmos errado...mas nao vislumbro mais musica, mais poesia no rock brasileiro.