Testemunhas relatam tortura e acusam coronel Ustra pela morte de jornalista

Fabiana Barreto Nunes, Última Instância

“A Justiça ouviu na tarde desta quarta-feira (27/7), no Fórum João Mendes, região central de São Paulo, seis testemunhas na ação movida pela família do jornalista morto sob tortura, Luiz Eduardo Merlino. Na ação, a família de Merlino acusa o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra de ser o responsável pela morte sob tortura de Merlino, em julho de 1971, nas dependências do Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de repressão da ditadura militar em São Paulo, que era comandado por Ustra.

Nessa primeira etapa do julgamento civil, foram ouvidas apenas testemunhas da acusação. Ustra não compareceu ao fórum.

Poucas pessoas puderam acompanhar a audiência pública, que foi realizada em uma sala para cinco pessoas. A primeira testemunha a falar com a imprensa foi o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi. Vannuchi relatou sua prisão em 17 de fevereiro de 1971, quando foi levado ao Doi-Codi na presença do general Ustra, mais conhecido como Major Tibiriça.

O ex-ministro relatou que durante os três meses em que ficou preso teve inúmeros contatos com Ustra, que seria o responsável por todas as decisões sobre tortura de prisioneiros. Após esse período passou pelo Dops e pelo presídio Tirandentes, até retornar ao Doi-Codi, quando conheceu Merlino que estava sendo massageado em frente a cela que Vannuchi estava preso.”
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