Beatriz Bulla, Última Instância
“Meses depois da decisão da CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) que condenou o Brasil pela não investigação dos crimes da guerrilha do Araguaia, familiares das vítimas da ditadura militar tentam fazer com que o MPF (Ministério Público Federal) comece as investigações para identificar os responsáveis pelos crimes da época. A cientitsta política Beatriz Affonso afirmou que as sentenças da CIDH são auto executáveis, mas tendo em vista a demora do Estado brasileiro em cumprí-la, os familiares das vítimas do Araguaia já estão fazendo representações aos MPF com cópia ao procurador-geral da República, para que as investigações se iniciem. Beatriz é uma das co-autoras do livro Crimes da Ditadura Militar e, com a ONG Cejil (Center for Justice and International Law) e outras organizações, peticionou o caso do Araguaia em nome das famílias junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
“O MPF vai receber as representações dos familiares de dos presos políticos que foram torturados. Essas representações vão funcionar como esgotamento interno, que é um dos requisitos para os casos irem ao Sistema Interamericano”. Segundo Beatriz Affonso, portanto, caso o Estado brasileiro de fato se exima da responsabilidade, abrirá caminho para que muitos outros casos cheguem ao Sistema Interamericano. “O Brasil tem de saber que o tema não se encerra com o caso Araguaia, o tema começa com o caso Araguaia”, alertou.”
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