Rui Martins, Direto da Redação
“O coronel Khadafi não é nenhum santo e nem flor que se cheire, porém essa guerra, em frente à Europa, contra um país com um vasto deserto, pode virar um outro Afeganistão. Quem tem razão ? Sarkozy, o presidente francês, que conseguiu obter do Conselho de Segurança uma resolução favorável à intervenção ? Angela Merkel e Dilma Rousseff, as duas mulheres que, pela Alemanha e pelo Brasil, preferiram uma moderada abstenção, ou Chaves e Morales, defensores de Khadafi, que seria vítima de uma guerra neocolonialista ?
Não esperem de mim a resposta. Seria muito cômodo para o leitor, pegar aqui os argumentos e ir dormir sossegado, sabendo porque é contra ou a favor. Prefiro mostrar quem está envolvido, ficando a conclusão para cada um.
Por que a ONU, que foi contra a invasão do Iraque, aprovou os bombardeios aéreos na Líbia, sob a justificativa de se impedir os ataques do coronel Khadafi ao seu próprio povo ? Temos de voltar à época da guerra na ex-Iuguslávia, quando os sérvios, a fim de manter a unidade do país e guardar sua supremacia, começaram a atacar as comunidades civis da Bósnia Herzegovínia. De acordo com decisões do Tribunal Penal Internacional os sérvios de Slobodan Milosevich cometeram genocídio, durante uma guerra que durou mais de três anos. Uma guerra que envolvia nacionalismo, política e religião.
Durante esse período, a ONU, dirigida pelo egípcio Butros Galli, não interferiu para impedir o genocídio, e a Otan acabou entrando na região só na fase final. Essa guerra tinha alguns aspectos estranhos, porque Slobodan Milosevich dirigia um dos últimos países comunistas na Europa e o fato de lutar contra os croatas, que apoiaram a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, e de ter sido combatido pela Otan, deu a pista falsa de guerra política. Na verdade, era uma questão étnica que se afirmou no momento final dos ajustes, quando os albaneses habitantes do Kosovo pediram sua independência.
Os sérvios diziam que o Kosovo era deles, pois ali estavam os fundamentos históricos do país. Porém, a imigração albanesa se tornou majoritária, mudou a fisionomia do Kosovo e como as duas comunidades não se misturaram, veio a guerra. Naquela vez, ONU decidiu intervir para evitar os choques entre as duas comunidades e o Kosovo acabou obtendo sua independência.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“O coronel Khadafi não é nenhum santo e nem flor que se cheire, porém essa guerra, em frente à Europa, contra um país com um vasto deserto, pode virar um outro Afeganistão. Quem tem razão ? Sarkozy, o presidente francês, que conseguiu obter do Conselho de Segurança uma resolução favorável à intervenção ? Angela Merkel e Dilma Rousseff, as duas mulheres que, pela Alemanha e pelo Brasil, preferiram uma moderada abstenção, ou Chaves e Morales, defensores de Khadafi, que seria vítima de uma guerra neocolonialista ?
Não esperem de mim a resposta. Seria muito cômodo para o leitor, pegar aqui os argumentos e ir dormir sossegado, sabendo porque é contra ou a favor. Prefiro mostrar quem está envolvido, ficando a conclusão para cada um.
Por que a ONU, que foi contra a invasão do Iraque, aprovou os bombardeios aéreos na Líbia, sob a justificativa de se impedir os ataques do coronel Khadafi ao seu próprio povo ? Temos de voltar à época da guerra na ex-Iuguslávia, quando os sérvios, a fim de manter a unidade do país e guardar sua supremacia, começaram a atacar as comunidades civis da Bósnia Herzegovínia. De acordo com decisões do Tribunal Penal Internacional os sérvios de Slobodan Milosevich cometeram genocídio, durante uma guerra que durou mais de três anos. Uma guerra que envolvia nacionalismo, política e religião.
Durante esse período, a ONU, dirigida pelo egípcio Butros Galli, não interferiu para impedir o genocídio, e a Otan acabou entrando na região só na fase final. Essa guerra tinha alguns aspectos estranhos, porque Slobodan Milosevich dirigia um dos últimos países comunistas na Europa e o fato de lutar contra os croatas, que apoiaram a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, e de ter sido combatido pela Otan, deu a pista falsa de guerra política. Na verdade, era uma questão étnica que se afirmou no momento final dos ajustes, quando os albaneses habitantes do Kosovo pediram sua independência.
Os sérvios diziam que o Kosovo era deles, pois ali estavam os fundamentos históricos do país. Porém, a imigração albanesa se tornou majoritária, mudou a fisionomia do Kosovo e como as duas comunidades não se misturaram, veio a guerra. Naquela vez, ONU decidiu intervir para evitar os choques entre as duas comunidades e o Kosovo acabou obtendo sua independência.”
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