Emerson Damasceno, Terra Magazine
“Com a deposição, camuflada de renúncia, de Hosni Mubarak da presidência do Egito, após quase três décadas no poder, o mundo presenciou uma nova forma de protesto que há alguns anos não poderia ser prevista sem causar alarde nos mais céticos observadores. Os protestos que varrem o Oriente Médio e culminaram agora com a queda de Mubarak, têm em comum o fator potencializador das mídias sociais em eventos de magnitude global. A internet, nestes casos, funciona não apenas como meio, mas como a própria fonte dos fatos e quando não muito, se torna o próprio evento em si. Armados não com armas, mas com gadgets, aplicativos e computadores que utilizam a rede como instrumento de cobrança e de protesto, cidadãos ao redor do planeta cumprem diariamente uma forma de exercício da cidadania ainda antes não imaginável, por falta de um meio que lhes desse eco aos protestos que não as ruas além de um fácil acesso, sem precedentes históricos, às informações antes negligenciadas.
O que a revolução digital que chegou às ruas no Egito e na Tunísia têm de diferencial, é que a queda de Mubarak também caiu junto com um mito moderno, o qual fazia a cabeça de alguns céticos, de que a tecnologia da informação seria sempre utilizada de forma pérfida e contrária às liberdades individuais. Inúmeros, aliás foram os profetas de que o famígero universo previsto na obra 1984 (nineteen Eighty-Four, escrito em 1949) de George Orwell já havia chegado e no qual as grandes nações controlariam a tudo e todos de uma forma bem mais fácil e totalitária. Panorama este, ressalte-se, que se levássemos em conta países como China, Cuba e Coréia do Norte, não deixava de ser tão irreal. Inúmeras foram e ainda são as teorias conspiratórias de que sequer em países tidos como democráticos as informações seriam realmente livres. Acontece que a revolução causada pela internet, mormente com o compartilhamento colossal de informações nos últimos anos, através do crescimento das mídias sociais, potencializou o caráter transformador que uma ferramenta assim possui. Some-se a isso a popularização de aparelhos que transformam pessoas comuns, antes meros receptores, em potenciais emissores de notícias que podem rapidamente ganhar o globo.”
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